Kropotkin (e Hume) e as leis da natureza

sábado, 8 de abril de 2017

Kropotkin (e Hume) e as leis da natureza

Texto interessante de Kropotkin (1842-1921) sobre o anarquismo. Em determinado ponto o autor diz que não existem "leis da natureza". Trata-se, segundo ele, do fato de que a suposta lei toma aspecto de causalidade: "Se tal fenômeno é produzido sob certas condições, outro fenômeno necessariamente se seguirá. Não existe uma lei colocada fora do fenômeno: todo fenômeno governa aquele que o segue, não há lei."

A questão das "leis da natureza", de certa forma já foi analisada pelo filósofo David Hume (1711-1776), que coloca em discussão até a lei de causalidade. Hume se pergunta se a repetição constante de sequências de acontecimentos pode ser vista como uma regra invariável da natureza, uma "lei", ou se é apenas uma coincidência que sempre se repete. O filósofo inglês quer com isso mostrar que nossa interpretação da natureza é uma generalização.

Fatos ocorrem na natureza, quando determinadas condições são dadas. São, em outras palavras "acontecimentos que ocorrem, invariavelmente, quando determinadas condições são dadas no início da sequência de acontecimentos que estamos analisando".

Por exemplo, se damos início a um "acontecimento observável" impulsionando uma esfera que estava em repouso sobre uma mesa. Dependendo da aceleração que dermos à esfera e do tamanho da mesa, aquela se deslocará até cair no chão, rolar e perder o impulso, parando.

Podemos analisar esta sequência de acontecimentos como sendo uma demonstração da lei da causalidade. No entanto, nestas dadas condições a causalidade ocorre de determinada maneira, que podemos chamar de lei da física (envolvendo aceleração, atrito, gravidade, etc).

A  "lei" efetivamente não está colocada fora do fenômeno; ela não existe por si só. A lei da natureza é apenas um acontecimento que destacamos do mundo físico, e que invariavelmente ocorre, quando certas condições são dadas. Algo como "Se P => S". Como disse Kropotkin "não existe lei colocada fora do fenômeno".
(Imagens: pinturas de George Bellow)

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