EUA retrocedem no combate às mudanças do clima

sábado, 1 de abril de 2017
"Uma coisa está clara - há indícios cada vez maiores de que o lugar de onde vieram nossos antepassados, como eles se adaptaram para lidar com o meio ambiente e onde vivemos hoje em dia, tudo se combina para ter um impacto significativo em nossa saúde."  -  Dr. Sharon Moalem e Jonathan Prince  -  A sobrevivência dos mais doentes

As mudanças climáticas são fato reconhecido pela maioria dos cientistas. O fenômeno é em grande parte causado pela emissões de gases, relacionados com as atividades econômicas. Recentemente, cientistas chegaram à conclusão de que as grandes extinções de espécies do período geológico Permiano, há 250 milhões de anos, foram causadas principalmente pelo acúmulo de gases de efeito estufa na atmosfera. A temperatura média da Terra aumentou em vários graus, dando origem a uma sequência de acontecimentos, que provocaram o desaparecimento de 95% de todas as espécies marinhas e de 70% dos animais terrestres.
Estes indícios, no entanto, parecem não preocupar muito o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Este, como afirmou que faria durante a campanha eleitoral, recentemente assinou uma ordem executiva, que indica uma mudança nas diversas medidas de combate ao aquecimento global, implantadas pelo antecessor de Trump, Barak Obama. Ainda na época eleitoral, o então candidato Trump havia declarado em entrevista que as mudanças climáticas seriam uma farsa, inventadas pelo governo chinês para frear o desenvolvimentos dos Estados Unidos.
Durante as reuniões do Acordo de Paris, o congresso climático mundial organizado pela ONU em 2015, os Estados Unidos haviam assumido o compromisso de cortar suas emissões de gases de efeito estufa em 26% até 2025, tendo por base os níveis de emissão do ano de 2005. Para alcançar esta redução, o governo Obama criou o Plano de Energia Limpa, que entre outras providências impunha às usinas de energia uma diminuição na emissão de gases. As usinas, cuja maior parte funcionava a carvão, entraram em uma disputa judicial com a agência ambiental federal (EPA), que se estende até hoje.
Ao longo dos últimos anos a indústria do carvão americana vinha perdendo empregos devido à automatização de seus processos. Além disso, muitas termelétricas estavam trocando o carvão pelo gás do xisto, que é menos poluente. O governo Trump, no entanto, planejando atender aos reclames do setor do carvão, vai suspender uma moratória imposta em 2016 pelo presidente Obama, e permitirá a concessão de terras federais para a implantação de novas usinas de carvão. Para beneficiar outros segmentos do setor de energia e combustíveis, Trump deverá rever medidas de redução de emissões de gás metano na exploração de petróleo e gás natural.

Por trás de todas estas ações do atual governo americano, apoiado por parte do Partido Republicano, está a intenção de recuperar empregos. O raciocínio, no entanto, segundo especialistas, é bastante simplista. Sabe-se há algum tempo que a indústria da energia renovável, principalmente a solar e a eólica, geram muito mais empregos do que a cadeia do carvão. Permanece também o fato, de que em determinada época do futuro os Estados Unidos serão definitivamente forçados a reduzir suas emissões, visando cumprir acordos internacionais.
Para atender seus eleitores, mesmo que criando empregos insustentáveis a médio prazo, os EUA podem anular anos de esforço em prol da redução das emissões de gases de efeito estufa. Segundo um cientista climático americano, as medidas adotadas por Trump "são um sinal para outros países de que talvez não devam cumprir os seus compromissos, o que significaria a falha do mundo em ficar fora da zona do perigo climático." (jornal O Globo 28/3).
(Imagens: fotografias de Eugene Atget)

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