“Fazer
admitir sua dominação, tal era o problema que se colocava à burguesia. Tornar
aceitável à grande maioria a situação privilegiada que era a sua, obrigou a
burguesia a abandonar algumas migalhas de sua prosperidade, para tentar apagar
a imagem de um povo em andrajos, famélico contemplando carruagens reluzentes,
imagem do século passado que retoma vida tão logo o sistema conhece uma crise
profunda como foi o caso em 1932. Era preciso, portanto, aumentar o volume das
mercadorias, diminuindo seu custo de produção, multiplicar os empregos,
elevando relativamente os salários, de modo que todos pudessem consumir.
Fim
do rico e do pobre em aspecto caricatural. O operário fabrica as mercadorias
contra um salário graças ao qual compra os bens que ele próprio produziu. O
circuito é fechado. A cada elo da corrente, a classe dirigente, por intermédio
das classes médias especializadas na distribuição, saca seu lucro. Para
consolidar o circuito, bastou ajustar sabiamente os preços e os salários, ainda
que esse equilíbrio seja, com frequência, ameaçado pela avidez do patronato e
pelas exigências dos sindicatos.”
Maurice Joyeux (1910-1991), jornalista, escritor e
ativista anarquista francês em Reflexões
sobre a Anarquia


0 comments:
Postar um comentário