Outras leituras

domingo, 12 de julho de 2026

 

“Fazer admitir sua dominação, tal era o problema que se colocava à burguesia. Tornar aceitável à grande maioria a situação privilegiada que era a sua, obrigou a burguesia a abandonar algumas migalhas de sua prosperidade, para tentar apagar a imagem de um povo em andrajos, famélico contemplando carruagens reluzentes, imagem do século passado que retoma vida tão logo o sistema conhece uma crise profunda como foi o caso em 1932. Era preciso, portanto, aumentar o volume das mercadorias, diminuindo seu custo de produção, multiplicar os empregos, elevando relativamente os salários, de modo que todos pudessem consumir.

Fim do rico e do pobre em aspecto caricatural. O operário fabrica as mercadorias contra um salário graças ao qual compra os bens que ele próprio produziu. O circuito é fechado. A cada elo da corrente, a classe dirigente, por intermédio das classes médias especializadas na distribuição, saca seu lucro. Para consolidar o circuito, bastou ajustar sabiamente os preços e os salários, ainda que esse equilíbrio seja, com frequência, ameaçado pela avidez do patronato e pelas exigências dos sindicatos.”

 

Maurice Joyeux (1910-1991), jornalista, escritor e ativista anarquista francês em Reflexões sobre a Anarquia

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