“Na
autocompreensão do século XXI o capitalismo parece pertencer à natureza interna
dos seres humanos, como a alimentação, a bebida, o sono e a procriação, isto é,
o metabolismo com a natureza exterior (ciclos de nutrição, de alojamento, mas
também de estética da natureza e da arte), a comunicação entre as pessoas e o
modo de funcionamento da natureza interior do ser humano. Fosse esse
entendimento correto, o capitalismo seria uma condition humaine (André Malraux) transmitida de uma geração a
outra. Nesse caso seria apenas coerente tender à opinião de que a história
estaria no fim quando o capitalismo, com o seu sistema de instituições
econômicas, sociais e políticas, bem como a cultura conexa, tivesse amadurecido
até o florescimento e as alternativas depois da ‘vitória grandiosa da Guerra
Fria’ tivessem desaparecido no vórtice do esquecimento histórico.
Permanece,
porém, um sentimento de insatisfação. No ‘fim da história’ surge a
desesperança, pois em primeiro lugar os primórdios continuam sem esclarecimento
se no fim da história tudo permanece como antes – embora saibamos alguma coisa
sobre as sociedades pré-capitalistas e a evolução do ser humano desde o
Paleolítico. Faz parte do conhecimento comprovado que a humanidade trabalhou e
viveu mais de 99% de sua história em condições não capitalistas. O capitalismo
saiu de outros modos de produção (na Europa da ordem feudal); outros haverão de
substituí-lo.”
Elmar Altvater (1938-2018), cientista social e professor alemão em O fim do capitalismo como o conhecemos (2005)

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