Leituras diárias

terça-feira, 25 de agosto de 2026


“Na autocompreensão do século XXI o capitalismo parece pertencer à natureza interna dos seres humanos, como a alimentação, a bebida, o sono e a procriação, isto é, o metabolismo com a natureza exterior (ciclos de nutrição, de alojamento, mas também de estética da natureza e da arte), a comunicação entre as pessoas e o modo de funcionamento da natureza interior do ser humano. Fosse esse entendimento correto, o capitalismo seria uma condition humaine (André Malraux) transmitida de uma geração a outra. Nesse caso seria apenas coerente tender à opinião de que a história estaria no fim quando o capitalismo, com o seu sistema de instituições econômicas, sociais e políticas, bem como a cultura conexa, tivesse amadurecido até o florescimento e as alternativas depois da ‘vitória grandiosa da Guerra Fria’ tivessem desaparecido no vórtice do esquecimento histórico.

Permanece, porém, um sentimento de insatisfação. No ‘fim da história’ surge a desesperança, pois em primeiro lugar os primórdios continuam sem esclarecimento se no fim da história tudo permanece como antes – embora saibamos alguma coisa sobre as sociedades pré-capitalistas e a evolução do ser humano desde o Paleolítico. Faz parte do conhecimento comprovado que a humanidade trabalhou e viveu mais de 99% de sua história em condições não capitalistas. O capitalismo saiu de outros modos de produção (na Europa da ordem feudal); outros haverão de substituí-lo.”

 

Elmar Altvater (1938-2018), cientista social e professor alemão em O fim do capitalismo como o conhecemos (2005)

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