Avançam os preparativos para a Conferência Rio + 20

domingo, 19 de junho de 2011
"Um dos erros mais graves que podemos cometer é acreditar que o cosmo tem planos para nós, que, de algum modo, somos importantes para o Universo. Somos, sim, especiais, mas não porque o cosmo tenha planos para nós, ou por que seja "certo" para a vida. O universo não quer nada conosco."   -   Marcelo Gleiser   -   Criação imperfeita

Em todo o mundo avançam os preparativos para o grande encontro sobre sustentabilidade, a conferência Rio + 20. O evento se realizará no Rio de Janeiro, entre os dias 4 e 6 de junho de 2012 e deverá reunir representantes de governos, ONGs e setor privado. A idéia da comissão organizadora da conferência é repetir o sucesso alcançado pela primeira conferência da série, a ECO 92, que aconteceu na mesma cidade em 1992, reunindo milhares de ativistas, políticos e empresários. O então presidente do Brasil, Fernando Collor de Mello, o presidente dos Estados Unidos, George Bush (pai), e o líder religioso budista Dalai Lama, foram personalidades que participaram ativamente da ECO 92.
Os tempos, no entanto, são outros. O mundo e o Brasil mudaram bastante nestes últimos 20 anos. Sob o aspecto econômico, em 1992 ainda vivíamos sob o impacto da queda do Muro de Berlim, representação simbólica da falência dos regimes socialistas liderados pela União Soviética. Os grandes grupos econômicos, incentivados pelo desaparecimento das barreiras ao comércio, começaram então sua expansão rumo às economias menos desenvolvidas, ampliando seu número de fornecedores e de consumidores: tinha assim início o que hoje conhecemos como sociedade mundial do consumo e das marcas. Na economia globalizada a China ainda não tinha a importância que tem hoje, mas já mostrava índices de crescimento bem acima dos outros países.
Na política, o mundo vivia um hiato, depois de décadas de bipolarização do poder entre a União Soviética e os Estados Unidos. A queda do império soviético havia deixado os Estados Unidos como vencedor de um conflito que teve início logo depois da 2ª Grande Guerra. A nação americana dominava militarmente o mundo e ainda não havia sido desafiada pelo terrorismo muçulmano - situação que se tornaria mais crítica a partir do ano 2000.
Em relação à questão ambiental a década de 1990 foi de grandes avanços em todo o mundo. Durante a Conferência no Rio de Janeiro foram estabelecidas as bases de um Tratado de Mudanças Climáticas (que em 1997 daria origem Protocolo de Kyoto), da Convenção da Biodiversidade e da Agenda 21 (a agenda da sustentabilidade para o século 21). No Brasil aumentava a preocupação com a questão ambiental e cresce o numero de ONGs envolvidas com projetos ambientais e iniciativas de caráter social. Os temas relacionados à proteção e preservação ambiental tornam-se cada vez mais comuns na imprensa, contribuindo para a informação e a conscientização da população em relação ao tema. O setor privado também vinha se adaptando lentamente ao tema ambiental. Já em 1991, a Câmara Internacional de Comércio promulgava em Rotterdam o que foi denominado de os “Princípios do Desenvolvimento Sustentável”, que deveriam servir de orientação para todos os empreendimentos preocupados com a questão ambiental.
É esperado que a Rio + 20 fale muito sobre economia verde; a maneira sustentável de como a economia deve funcionar daqui para frente. Isto porque, o mundo não está mais em fase de elaboração de acordos e tratados ambientais. O impacto ambiental do sistema econômico é cada vez maior, principalmente nas economias emergentes. É hora de se cumprir na prática o que já foi compromissado; a situação é urgente!
(imagens: Archile Gorky)

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