Carro elétrico: avanços e recuos

domingo, 12 de fevereiro de 2012
"Nosso mundo é insano e corrupto, não importa o ângulo de visão, e não pode ser analisado ou compreendido, só experimentado, fragmentariamente, no varejo de nossas sensações  e emoções. Os modelos sociológicos, o babalaô individual, etc. não alteram a certeza nervosa, central, de que vivemos um apocalipse."  - Paulo Francis  - Cabeça de papel

Durante os últimos 35 anos, pressionados pelos preços crescentes do petróleo e pela necessidade de reduzir emissões, os fabricantes de carros desenvolveram novas alternativas de propulsão para seus veículos. As soluções técnicas mais conhecidas são os motores movidos a combustíveis renováveis, principalmente o etanol e o biodiesel; os motores a célula de combustível, funcionando com hidrogênio; e os motores elétricos e híbridos (combustível e eletricidade). Por uma questão de custo, apesar das pesquisas com tecnologias inovadoras, dominam ainda os motores a explosão, movidos a gasolina, diesel e álcool. No entanto, observando tendências da indústria mundial de automóveis, parece que o velho motor a ignição está com seus dias contados.
Três fatores principais contribuem para um avanço de novas tecnologias no setor: 1) a redução dos estoques de petróleo convencional, tornando sua exploração cada vez mais custosa; 2) a poluição causada pelos motores, mesmo aqueles movidos a combustíveis renováveis; e 3) a baixa eficiência dos motores convencionais; sendo de 25% a 30% para motores a gasolina e etanol e de 30% a 40% para motores a diesel. Estes fatores, associados ao fato de que aumenta a demanda por veículos dotados de novos sistemas de acionamento; menos poluentes, mais limpos e modernos, farão com que o preço dos veículos híbridos ou com motores elétricos acabe gradualmente caindo.
Na Alemanha, os maiores fabricantes de automóveis apresentaram suas versões de veículos elétricos e híbridos já durante o Salão Internacional do Automóvel (IAA) em 2009. Em 2010, foram colocadas as primeiras unidades no mercado, em sistema de leasing. A partir deste ano, segundo revistas alemãs especializadas no setor, as montadoras oferecerão diversos carros com motores elétricos e modelos híbridos. Por outro lado, afirmam os especialistas que o avanço dos veículos elétricos será inevitável, mesmo que o motor a explosão ainda prevaleça durante os próximos vinte anos. No entanto, se prevê que já em 2020 cada terceiro carro será elétrico – um desenvolvimento bastante rápido do setor.
A Europa, a China, os Estados Unidos e o Japão investem e oferecem incentivos para compradores de carros elétricos e híbridos, fomentando assim o crescimento de suas indústrias. Enquanto isso o Brasil, que já é o 4º maior mercado de automóveis do mundo – depois dos Estados Unidos, Japão e China – mantêm uma posição de distanciamento em relação à nova tecnologia. Em reunião realizada no Banco Nacional do Desenvolvimento 
Econômico e Social (BNDES) em 2010, um grupo formado por diversas entidades e empresas apresentou ao governo as conclusões de um estudo sobre o tema. Entre os dados e informações, ficou claro que as vendas de carros elétricos ou híbridos só poderão acelerar com o apoio do governo federal, através de incentivos. Este mostrou interesse de início, mas acabou recuando. Segundo o então presidente Lula, havia por todo o lado interesse pelo assunto, “mas não se sabe ainda se alguém vai produzir (o carro) em grande escala”. Outros especialistas, contrários à idéia do veículo, alegam que seu consumo de eletricidade será considerável face à geração total do País – hipótese negada tanto pela Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL), quanto pela Itaipu Binacional e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
A discussão ainda deverá continuar. O que não pode acontecer é perdermos esta oportunidade, nos transformando no maior mercado mundial de automóveis ultrapassados, onde as grandes montadoras ainda faturarão montanhas de dinheiro, usando tecnologias antiquadas, poluentes e comparativamente caras. 
(Imagens: fotos de Sune Jonsson)        

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