A ineficiência está saindo caro

sábado, 15 de junho de 2013
"A rotação da Terra produz a noite; a noite produz o medo; o medo gera o sobrenatural: - divindades e demônios têm a origem comum na treva. Quando o sol raia, desdemoniza-se a natureza. Cessa o Sabá. Satã afunda no Inferno, seguido da alcatéia inteira dos diabos menores."  -  Monteiro Lobato  -  Idéias de Jeca Tatu

A questão da eficiência no uso dos recursos é tema cada vez mais atual no mundo. Economias industrializadas, altas consumidoras de insumos, estudam, desenvolvem e aplicam cada vez mais técnicas e tecnologias que possibilitem utilizar os insumos de uma forma mais eficiente, com menos desperdício. Países como o Japão, a Alemanha e os Estados Unidos estão consumindo menos insumos – principalmente energia – mas produzindo mais. O custo para geração de bens e serviços está caindo, dados os altos investimentos em pesquisa, formação e capacitação.
Já no Brasil ainda avançamos a passos lentos. Em todas as áreas; agricultura, indústria e serviços, as perdas são muito grandes, encarecendo produtos e serviços e dilapidando nossos recursos naturais – solos férteis, florestas naturais, ar, água e ecossistemas. Basta percorrer a imprensa com alguma atenção, para formar um quadro do desperdício: desflorestamento da Mata Atlântica aumentou 29% em relação ao período 2010/2011; somente 3% do lixo residencial são reciclados, causando perdas de 10 bilhões de reais por ano ao país; média de 35% da água tratada no Brasil é perdida (em algumas regiões este índice é superior a 50%); uso excessivo de agrotóxicos causa doenças e contamina solos; perda de energia elétrica na geração e transmissão causada por equipamentos antiquados; setor da construção desperdiça cerca de 30% de material e insumos; trânsito na cidade de São Paulo causa prejuízos de 30 bilhões de reais ao ano; mais de 30% da produção agrícola é perdida por falta de estrutura de armazenagem e transporte, e por aí vai...
Isso tudo acontece no país cuja economia é a sétima maior do mundo; cujo parque industrial é o décimo quarto e cujo setor agropecuário é o terceiro no planeta, além da imensa extensão territorial e abundância de recursos. Às vésperas de eventos de destaque mundial, que poderiam projetar a imagem de um país dinâmico, a caminho do crescimento econômico e do equilíbrio socioambiental (como o governo ainda pretende fazer parecer), como a Copa de Futebol (2014) e as Olimpíadas (2016), não fomos capazes de preparar a infraestrutura do país, para colocá-la ao nível destes eventos. Grandes obras, como a transposição do São Francisco, rodovias estaduais e federais, ferrovias, pontes; estão paralisadas em parte por suspeita de desvio de verbas. 
As causas desta ineficiência – existem exceções – são as mais diversas. Uma delas, por exemplo, é a inoperância de segmentos do setor público brasileiro; seja o legislativo, o executivo ou o judiciário. Parte da máquina pública, de uma forma geral, é dominada por interesses políticos e grupos de poder. Aliado a isto, funcionários nos diversos escalões estão pouco preparados, mal remunerados e sem qualquer incentivo ou punição – além de muitas vezes presenciarem os maus exemplos nos escalões superiores. Para completar o quadro, muita burocracia, má alocação de verbas – recursos existem, mas geralmente mal gerenciados – o que muitas vezes cria um ambiente propício para todo tipo de corrupção.
A atuação do setor público influencia toda a sociedade; já que é este que cria e controla o cumprimento das leis, elabora as estratégias econômicas e sociais, além de dispor dos maiores volumes de recursos para investimentos. O Estado deve existir para servir todos os seus cidadãos e não o contrário.
(Imagens: George Gie)

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