Quais temas ambientais influenciarão a economia?

sábado, 14 de setembro de 2013
"Cem vezes o sol tinha já brotado, radiante ou tristonho, daquela imensa tina do mar, cujas bordas só se enxergavam a custo; cem vezes ele tornara a imergir, cintilante ou lúgubre, no seu imenso banho de tarde."  Charles Baudelaire  - O esplim de Paris: pequenos poemas em prosa

A economia brasileira está inserida no vasto panorama econômico global através de ampla rede de conexões; financeiras, jurídicas, logísticas e políticas. Por outro lado, um dos aspectos que influenciarão cada vez mais a economia mundial e a brasileira são os temas ambientais.
Em um debate, especialistas de diversas áreas tentaram estabelecer quais seriam os mais importantes tópicos de meio ambiente com os quais as empresas brasileiras se defrontarão a curto e médio prazo. Para estabelecer uma lista de prioridades ambientais, que necessariamente terão que ser incluídas nas agendas de planejamento estratégico das empresas, o grupo utilizou critérios, como: legislação local já existente; aumento dos custos de produção; pressão da sociedade civil; competitividade internacional; e impedimentos ou barreiras no comércio exterior. Adiante tentarei resumir os principais pontos do debate, discorrendo sobre seus aspectos mais importantes.
O Brasil possui uma boa legislação ambiental que, todavia, não é sempre aplicada. Se, por um lado, falta mais conscientização a parte da sociedade civil, por outro escasseiam recursos para a efetiva aplicação da lei. Empresários e cidadãos infringindo leis ambientais e órgãos de controle com insuficientes funcionários, sem capacitação e infraestrutura para fazer cumprir os regulamentos. No entanto, mesmo assim, o país avança. O exemplo mais recente é a Lei Nacional de Resíduos Sólidos, aprovada em 2010. A legislação exige que empresas, consumidores e prefeituras instituam programas de coleta seletiva, reciclagem e destinação correta dos resíduos; o que implicará em custos de infraestrutura e capacitação. É certo que no médio prazo, todas as cadeias produtivas e de consumo terão que se adaptar à legislação.
Outro aspecto é o aumento dos custos de produção, provocados pelo encarecimento dos insumos. Matérias primas, água, energias (óleo, vapor, eletricidade) se tornarão gradualmente mais caros, forçando o empresário a economizar ou substituir recursos - o que implica investir em pesquisa, tecnologia e capacitação. Não há como fugir disso: a legislação e concorrentes mais eficientes forçarão as empresas a se tornarem mais eficientes, seja para competir no mercado interno quanto externo.
O grau de conscientização ambiental da sociedade civil aumenta gradualmente: valorização do transporte público (o principal motivo das manifestações de junho), incentivo ao uso da bicicleta, proteção dos animais, uso de energias renováveis; são novos temas que se somam aos já existentes, e que ganham importância nas discussões ambientais.
No mercado internacional, empresas e países poderão estabelecer padrões de atuação para seus fornecedores, utilizando parâmetros como: uso de água, emissões de gases de efeito estufa, área desmatada, percentual de material reciclado, etc. Assim, produtores também serão avaliados pelo impacto ambiental de suas atividades produtivas e isto poderá ser fator decisivo para poderem vender para uma empresa ou exportar para determinado país. 
Resumidamente é possível inferir, que a médio e longo prazos haverá cada vez mais exigências ambientais para aquelas empresas que queiram participem das cadeias de produção e distribuição mais lucrativas. Além dos fatores de economia clássica, aspectos ambientais legais, técnicos, sociais e de política internacional terão peso cada vez maior.
(Imagens: fotografias de Emmanuil Evzerikhin) 

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