Humanos provocam extinção de espécies há milênios

sábado, 6 de setembro de 2014
"A visão de Espinosa era a de que tudo o que ocorre na realidade é, necessariamente, uma manifestação da Divindade. Assim, nesse esquema, não há espaço algum para o livre-arbítrio. De fato, ele argumentava que acreditar no livre-arbítrio é como alguém sonhar de olhos abertos; é só porque somos ignorantes das verdadeiras causas de nossas ações que somos capazes de sustentar tal presunção."  -  Dr. Jeremy Stangroom  -  Filosofia

Hoje já é fato aceito pela ciência de que o homem sempre foi agente destruidor de outras espécies. Paleontólogos realizaram escavações em diversas partes do mundo e descobriram que nossos antepassados desenvolveram técnicas de caça, que implicavam na morte de dezenas ou centenas de animais de uma vez. Uma das práticas mais comuns consistia em cercar e carrear manadas de cervos, bisões ou outros animais para desfiladeiros, de onde estes se precipitavam para a morte, rendendo grande quantidade de carne. O que, no entanto, também deve ter acontecido com frequência, é que em tais caçadas também morriam fêmeas prenhes e filhotes, o que provocava uma redução no grupo destes animais. Esta situação, aliada à falta periódica de alimentos, invernos rigorosos e a caça constante praticada pelos humanos, acabava contribuindo com a extinção das espécies.
Existem provas de que a espécie humana teve um papel importante na extinção da megafauna do período do Pleistoceno (de 2,5 milhões de anos até 11,5 mil anos atrás) em todo o mundo. Mamutes, rinocerontes lanosos, preguiças gigantes, tigres de dente de sabre, mastodontes, ursos das cavernas e diversas espécies de marsupiais, faziam parte de uma fauna que se habituou ao frio e vivia em relativo equilíbrio. O aparecimento do homem na Eurásia, na Austrália e mais tarde na América, provocou a mortandade de muitos tipos de animais, em poucos milhares de anos – um ritmo de extinção incomum para períodos de relativo equilíbrio ambiental. A causa do desaparecimento de tantas espécies foi certamente o homem, que já tinha desenvolvido armas e técnicas de caça bastante mortíferas.
Há 30 ou 20 mil anos o homem já dominava técnicas que manejo da flora, incendiando extensas áreas de estepe e floresta; como ocorreu na Austrália, na África e, mais recentemente, na América do Sul. A interferência do homem nos ambientes naturais ocorre de longa data e, baseado em estudos mais recentes, não é mais possível falar de um ambiente natural intocado, mesmo em regiões onde o ambiente ainda é considerado original. A destruição dos ecossistemas e das espécies não é, portanto, exclusividade da civilização, seja em sua fase agrícola ou industrial. O que caracteriza muito mais a fase civilizatória do homem - a partir da descoberta da agricultura - é a domesticação de animais, para fornecimento de alimento e força de trabalho.
Recentemente biólogos da Universidade Duke, nos Estados Unidos, publicaram um estudo afirmando que a ação do homem acelerou em mil vezes a taxa de extinção das espécies de plantas e animais no planeta, em comparação ao que vinha ocorrendo em ritmo natural. Os dados são alarmantes, mas os cientistas acreditam que novas tecnologias atualmente disponíveis podem ajudar a proteger a biodiversidade. Mapas, bancos de dados e outras espécies de tecnologias deverão ajudar os cientistas a identificarem as regiões onde se localizam as espécies mais vulneráveis e ajudar em sua proteção.
Não sabemos quantas espécies já desapareceram por causa da ação do homem. E, se no passado os impactos eram limitados pela incipiente tecnologia, hoje a humanidade exerce um domínio quase absoluto sobre os ecossistemas, para o bem e para o mal. Mesmo assim, ainda existem milhões de espécies – incluindo uma quantidade ainda desconhecida de microorganismos terrestres, aquáticos e do subsolo – que permanecem forma do alcance do nosso conhecimento.   
(Imagens: grafismo indígena)

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