As regiões metropolitanas e seu impacto

sábado, 5 de março de 2016
"Pode parecer incrível que tenhamos apenas 10 mil genes a mais que uma erva daninha, mas já é o suficiente. Não é possível julgar a complexidade de um organismo pelo número de genes que possui, assim como não se pode julgar a sofisticação de um programa de computador pelo número de linhas de códigos."  -  Dean Hamer  -  O gene de deus

Nos últimos 100 anos a população do Brasil cresceu de aproximadamente 25 para 205 milhões de habitantes; um aumento de 820%. Comparativamente, a população da Índia, o segundo mais populoso país do mundo, cresceu de 260 milhões em 1910 para 1.170 milhões em 2010 - um incremento de 450%. Estas estatísticas mostram o quanto aumentou o número de brasileiros, mesmo em comparação com países de alta densidade populacional. O fenômeno do rápido aumento da população é relativamente recente na história da humanidade, ocorreu e ocorre principalmente em países pobres ou em desenvolvimento, apresentando algumas características comuns a todos.
A disseminação do acesso a medidas de prevenção de doenças, como o saneamento (principalmente fornecimento de água potável), a vacinação em massa, a popularização de medidas de higiene básica, a construção de banheiros, a criação de serviços de saúde, têm contribuído para redução da mortalidade infantil e o aumento médio da vida. Outro aspecto importante é a crescente modernização e mecanização da agricultura e do aumento da capacidade de armazenagem de grãos, fatores que contribuem para um melhor padrão de vida, expandindo a disponibilidade de alimentos. Além desses aspectos, concorreram também os avanços no setor de transportes e a expansão dos sistemas de comunicação, facilitando a transmissão de dados e informações e a transferência de valores.
Mas a melhoria das condições de vida não ocorre igualmente em todo o território. Fatores históricos e econômicos fazem com que algumas regiões se desenvolvam mais, atraindo novos moradores vindos de outras partes do país. Em função da oferta de empregos na indústria, no comércio, na construção e no setor de serviços, cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte chamaram grandes levas de imigrantes entre as décadas de 1940 e 1980. Os municípios do entorno também tiveram um aumento populacional e em poucos anos formaram-se as regiões metropolitanas. A região metropolitana de São Paulo (RMSP), por exemplo, tem cerca de 25 milhões de habitantes, que vivem em seus 39 municípios. Em 2011 a RMSP representava 56% do PIB do estado de São Paulo e 16% do PIB nacional.

As regiões metropolitanas atraem um imenso fluxo de materiais e produtos, destinados ao consumo e à produção. Imensos volumes de água e eletricidade, além de combustíveis, são diariamente utilizados para manter este complexo sistema de organização econômica e social em funcionamento. Todos estes insumos são transportados para dentro das regiões metropolitanas, processados e consumidos, gerando grandes quantidades de resíduos: resíduos domésticos e industriais, efluentes e esgotos domésticos, fumaça e gases de motores e de processos produtivos. Resíduos da atividade econômica somada de dezenas de milhões de pessoas; trabalhando vivendo e consumindo.  
Existem hoje no mundo 68 grandes regiões metropolitanas onde vivem cerca de 900 milhões de pessoas, reunindo uma capacidade de consumo maior do que o restante do mundo. Nestas cidades se localizam as maiores empresas e as maiores fortunas de todo o planeta. Imensas quantidades de recursos naturais fluem para estes aglomerados humanos, o que faz com que o impacto ambiental destes centros urbanos seja imenso. Especialistas preveem que a questão ambiental no século XXI passará principalmente pelas regiões metropolitanas.
(Imagens: fotografias de Ricardo E. Rose)

0 comentários:

Postar um comentário