Obras contra enchentes na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP)

sábado, 9 de abril de 2016
"A crença na existência de tijolos elementares distinguíveis e eternos é o fundamento último de todo o método cartesiano, ou seja, de todo o método analítico."  -  Marc Halévy  -  A era do conhecimento

No verão de 2016 a região metropolitana de São Paulo (RMSP) foi afetada por fortes chuvas, que provocaram perdas materiais e de vidas humanas. O fenômeno não é novo, mas toma proporções cada vez maiores, devido ao crescimento da urbanização em toda a região. Impermeabilização do solo, ocupação das áreas de várzea, redução das áreas verdes, insuficientes redes de drenagem, acúmulo de resíduos; são os principais fatores causadores das enchentes. Outro aspecto é que a maior parte da chuva que cai sobre a RMSP corre para os córregos e rios que deságuam no Tietê, aumentando seu volume em várias vezes.
A calha do Tietê se formou há cerca de cinco milhões de anos e é habitada e navegada há mais de seis mil anos. O rio deve ter provocado centenas de enchentes ao longo de sua história, inundando as margens e avançando sobre as várzeas. Terminadas as chuvas, as águas voltavam ao seu leito normal. O "piratininga" do nome da cidade, São Paulo de Piratininga, quer dizer "peixe seco", numa alusão aos peixes que secavam no solo, depois que as águas do rio baixavam.
Fundada a cidade, as enchentes do rio Tietê passaram a afetar a população a partir do final do século XIX, quando a região situada entre o centro velho e o rio Tietê - os atuais bairros da Luz, Bom Retiro, Barra Funda, Brás, Pari e Canindé - começa a ser ocupada. Assim, a maior enchente do Tietê ocorreu no verão de 1929, na qual as águas do rio ocuparam grande parte daqueles bairros da cidade por vários dias. A construção de avenidas e o aterramento de áreas de várzea para a abertura de loteamentos entre as décadas de 1940 e 1970, aumentaram o impacto das enchentes sobre a vida da cidade.  
Em 1998 o governo estadual deu início a um programa de aprofundamento e ampliação da calha do rio, a fim de eliminar o alagamento do rio. Depois das obras, terminadas em 2006, o Tietê ficou mais largo e 2,5 metros mais profundo, ao longo de seus 24,5 km de trecho urbano. As obras, no entanto, não foram suficientes para evitar novas enchentes na RMSP. Reportagem publicada recentemente no jornal O Estado de São Paulo, informa que o governo estadual planeja novas obras relacionadas ao Plano Diretor de Macrodrenagem da Bacia do Alto Tietê (PDMAT). As obras devem incluir um novo rebaixamento da calha do rio em mais 2,5 metros entre a barragem da Penha, na zona leste da cidade, e a usina hidrelétrica Edgard de Souza, em Santana do Parnaíba, aumentando a capacidade de vazão do rio. O projeto também prevê o rebaixamento da calha do rio Pinheiros na altura do Ceagesp, além de outras obras ao longo dos rios Aricanduva, Pirajussara, Juqueri e Tamanduateí, que também compõem a bacia. Para controlar o fluxo de água que corre para os rios, o PDMAT construirá 160 piscinões. Na bacia do rio Juqueri, que passa pelos municípios de Franco da Rocha e Mairiporã, serão construídos 45 reservatórios, com uma capacidade total de armazenagem de 5,6 bilhões de litros.
Críticos do projeto afirmam que será difícil aprofundar ainda mais a calha do Tietê e que não existem áreas suficientes para construir tão grande número de piscinões. Uma alternativas seria fazer a retenção (armazenagem) da água nas próprias residências, prédios e galpões, promovendo o uso da água pluvial nas privadas, na limpeza do chão, na regação de jardins, etc,.
(Imagens: pinturas de Lucas Cranach, o Velho)

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