Má qualidade do ar mata cada vez mais

sábado, 24 de setembro de 2016
"Se a Roma Antiga caíra, por que não a moderna Europa? O que quer que fosse responsável pelo movimento da história, certamente não seria a Razão. Na visão de Gibbon, na verdade, a Razão muitas vezes é a racionalização, no sentido freudiano de conferir um ilusório ar de plausibilidade a alguma motivação vergonhosa."  -  Terry Eagleton  -  A morte de Deus na cultura

Relatório da Organização Mundial de Saúde (OMS), publicado em maio de 2016, informa que mais de 80% das cidades que em todo o mundo que monitoram a qualidade do ar, têm índices de poluição atmosférica acima dos padrões estabelecidos pela OMS. Das 2.972 cidades avaliadas pelo órgão, 2.842 excedem o limite anual de 20 µg/m³ (20 microgramas por metro cúbico). Segundo a ONG brasileira Instituto Saúde e Sustentabilidade, o Brasil ainda adota padrões de medição da poluição do ar na faixa de 50 a 150 µg/m³/ano e no estado de São Paulo de 40 a 120 µg/m³/ano, o que demonstra nosso atraso com relação aos padrões da OMS.
Outro aspecto da situação brasileira é que são pouquíssimas as cidades que têm algum sistema de medição da qualidade do ar; apenas 1,7% dos municípios brasileiros, dos quais a maior parte está localizada na região Sudeste. Das cerca de 95 cidades brasileiras que têm algum tipo de monitoramente de suas atmosferas, 40 apresentaram índices de poluição do ar acima dos padrões da OMS - cerca de 42% das cidades regularmente monitoradas.
Uma das regiões com a mais baixa qualidade do ar no país é a Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), que abrange a cidade de São Paulo e mais 38 municípios do entorno. Trata-se de uma área de aproximadamente 8.000 km² e 21 milhões de habitantes, onde rodam cerca de 8 milhões de veículos, entre automóveis, caminhões, ônibus e utilitários. Já em 2011 o Instituto Saúde e Sustentabilidade informava que 4.655 pessoas morriam na cidade de São Paulo, devido a problemas de saúde causados diretamente pela poluição atmosférica.
Os problemas causados pela poluição são os mais diversos podendo agravar doenças preexistentes ou provocar o aparecimento de novas. Quatro são os principais agentes poluidores do ar: o gás monóxido de carbono (CO) que pode provocar tontura, alterações no sistema nervoso central e acentuar doenças cardíacas preexistentes; o gás dióxido de enxofre (SO²) que provoca coriza, catarro, danos aos pulmões e em doses excessivas pode causar a morte; o gás óxido de nitrogênio (NOx, NO²) que causa afecções respiratórias e alterações celulares; e o material particulado (fuligem, poeira e a fumaça), que causa alergias, bronquites e pode provocar o câncer. Fato é que a poluição do ar provocada principalmente pela queima de combustíveis como o diesel, a gasolina e o etanol é comparável à fumaça do cigarro: sabe-se que prejudica a saúde de diversas maneiras, mas é possível que seu efeito pernicioso seja ainda maior.

A OMS tem diversas estatísticas sobre doenças e mortes provocadas pela poluição do ar. Em cidades como Nova Delhi, na Índia, e Pequim, na China, os índices de poluição de ar são de 300 µg/m³ - mais de 10 vezes acima do nível máximo fixado pela OMS. Não é por coincidência que nesses países morrem cerca de 1,5 milhões de pessoas por ano, por doenças e suas consequências provocadas pela má qualidade do ar.
A poluição do ar nas cidades é provocada por atividades industriais e, principalmente, por emissões veiculares. Para controlar e reduzir gradualmente a poluição do ar é necessário que governos estaduais e municipais instituam ou ampliem sistemas de medição e monitoramento, tanto para as indústrias e principalmente para os veículos. Não é mais aceitável que veículos poluidores continuem rodando por nossas cidades, indiretamente ceifando vidas humanas.
(Imagens: imagens do Museu Brasileiro de Escultura - projeto do arquiteto Paulo Mendes Rocha)

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