Meio ambiente e eleições municipais

sábado, 15 de outubro de 2016
"A Fotografia não rememora o passado (não há nada de proustiano em uma foto). O efeito que ela produz em mim não é o de restituir o que abolido (pelo tempo, pela distância), mas o de atestar que o que vejo de fato existiu."  -  Roland Barthes  -  A câmara clara

Estamos a alguns dias das eleições municipais de 2016. A crise econômica e principalmente a nova legislação eleitoral, fez com que nesse ano as campanhas fossem mais modestas e menos ruidosas. Porém os temas tratados pelos candidatos continuam os de sempre: saúde, educação, transporte, segurança, emprego, entre os principais. Na maior parte das cidades o emprego e a saúde se tornaram prioritários, refletindo o desmonte da economia e a falta de recursos no governo federal. Infelizmente, entra eleição e sai eleição, dada a falta de uma infraestrutura básica, continuamos a nos preocupar com os mesmos velhos problemas. Ainda estamos longe de incorporar novas tecnologias e conhecimentos à gestão pública, como já fazem outras comunidades mundo afora. 
Basicamente são poucas as novidades em relação aos anos eleitorais anteriores, até mesmo na pouca importância que partidos e candidatos continuam dando à questão ambiental. Saneamento, serviço que parte considerável das cidades brasileiras não dispõe – cerca de 50% – continua sendo tema completamente ausente dos debates. A realidade é que as cidades de pequeno e médio porte não têm recursos suficientes para implantar sistemas de coleta e tratamento de esgoto. Dependem dos governos estaduais e de recursos federais que, todos sabem, estão escassos ou indisponíveis. Sendo assim, não se toca no assunto, já que a maior parte dos munícipes nem se preocupa com o assunto, não sabendo que os efluentes de sua casa são descarregados no rio onde muitos pescam aos domingos.
Os candidatos a prefeito de São Paulo vêm apresentando algumas idéias com relação ao meio ambiente, dado que no caso da maior cidade do país não é possível fugir do assunto. Mas todas, segundo os especialistas, são propostas genéricas, muitas delas inevitáveis, já que se destinam a cumprir a lei – no caso a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) que em São Paulo passará a vigorar a partir de 2018. Outras sugestões dos candidatos incluem a criação de um maior número de parques, a educação ambiental nas escolas, a introdução dos LEDs na iluminação pública e colocação de placas fotovoltaicas no topo dos prédios. Realmente, nada de novo. O que os candidatos vêm esquecendo é a necessidade de implantar medidas para reduzir as emissões veiculares, como a volta do Controlar que, cedo ou tarde, terá que ser reativado. A questão das enchentes é outro problema que a cada ano, na época das chuvas, volta a afetar grande parte da população.

Enquanto a administração pública seja na figura do prefeito, dos vereadores e na própria burocracia administrativa, não houver incorporado a importância do meio ambiente e dos recursos naturais, nossas cidades continuarão sendo malcuidadas, feias e sujas. Se o planejamento urbano continuar a ser orientado apenas pelos interesses econômicos ou por políticas imediatistas, ainda enfrentaremos os mesmos problemas urbanos por décadas. O cidadão brasileiro, tendo testemunhado a corrupção e inépcia administrativa que vem sendo colocada a público nos últimos meses, está cansado de continuar empregando administradores públicos incompetentes, quando não criminosos. As idéias da modernidade precisam ser incorporadas à ideologia e à pratica da gestão pública brasileira.
(Imagens: fotografias de Koen Wessing)

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