Crise econômica e socioambiental

sábado, 22 de junho de 2019
"Abandonar os fatos é abandonar a liberdade. Se nada for verdadeiro, ninguém poderá criticar o poder, porque não haverá uma base para fazê-lo. Se nada for verdadeiro, tudo é espetáculo. A carteira mais recheada garante a pirotecnia mais ofuscante."   -   Timothy Snyder   -   Sobre a tirania

A crise dos mercados mundiais iniciada em 2008, fez com que o meio ambiente deixasse de ser um dos principais temas nas estratégias de empresas e governos de todo o mundo. No Brasil, a desaceleração econômica iniciada em 2014 provocou a queda de investimentos no setor privado e a redução de recursos públicos; fatores que contribuíram para que a questão ambiental quase desaparecesse das agendas privadas e públicas.

A questão ambiental avançou rapidamente nos países industrializados entre os anos 1980 e 1990. Criação de leis locais e acordos internacionais fizeram com que as atividades de produção e distribuição de produtos se tornassem ambientalmente mais seguras. Leis sobre gestão de resíduos e tratamento de efluentes; acordos internacionais regulamentando o transportes de produtos perigosos; tratados visando banir o uso de certos produtos (agrotóxicos e CFC); protocolos visando proteger a biodiversidade, os oceanos e limitar as emissões de gases. Em 1987 publica-se o Relatório Brundtland, conclamando países e empresas a adotarem o desenvolvimento sustentado.

Ainda nessa época as grandes empresas multinacionais, seguidas depois por seus fornecedores, clientes e pelo mercado, principiaram por implantar sistemas de gestão ambiental em suas instalações. O mercado de tecnologias ambientais se desenvolvia, propiciando o aparecimento de várias empresas fabricantes de equipamentos e fornecedoras de serviços nessa área. Surgem os sistemas internacionalmente reconhecidos de certificação ambiental (EMAS, Série ISO14000), atestando produtos, serviços, instalações e processos.

No início dos anos 2000, somam-se à questão ambiental os temas sociais. Preocupações com a qualidade de vida, os direitos individuais, a educação e saúde, entre outros, entraram nas agendas das grandes corporações e, como consequência, em amplos segmentos da sociedade. Nos grandes grupos econômicos – indústrias, bancos, varejistas e consultorias – já não se falava mais em meio ambiente, mas na “questão socioambiental” e na “responsabilidade social corporativa (RSC)”. Grandes empresas tinham departamentos especializados, que além de se ocuparem dos aspectos ambientais ligados às atividades empresariais, também geriam ou financiavam projetos socioeducativos. Foi um período em que, tanto no Brasil como no exterior, o mundo empresarial parecia estar caminhando rumo a um futuro de melhor convivência com o meio ambiente e de mais preocupação com os problemas sociais dos países e regiões onde estava estabelecido. Empresas, consultorias e agências de propaganda, utilizam frequentemente em suas comunicações a expressão americana “triple bottom line”, o tripé da sustentabilidade: o social, o ambiental e o financeiro; conceitos considerados imprescindíveis na estratégia de uma empresa moderna.
 
Mas, em 2008 veio a crise do sistema financeiro americano, afetando toda a economia mundial. Falências, milhões de desempregados, queda no consumo; empresas e estados em grave situação financeira. Com a crise veio a contenção de despesas, tanto no setor privado quanto nos governos. Não haviam mais recursos que permitissem atividades socioambientais. Tratava-se agora de cumprir a lei ambiental e lutar pela sobrevivência do empreendimento. O mercado das atividades socioambientais entrou em recessão e, principalmente no Brasil, não se recuperou mais até agora.

(Imagens: pinturas de  Holton Rower)      

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