“O pensamento decolonial pretende consolidar um conhecimento não eurocêntrico a partir das diferenças coloniais. Como ressalta Walter Mignolo (2003, p.17): ‘o que se busca não é somente mudar os conteúdos, mas também os termos e as condições de conversação’. É diante da herança colonial que surge a necessidade de paradigmas outros, e não de novos paradigmas inscritos no projeto de Modernidade, sejam eles colonizadores ou emancipadores. A crítica ao eurocentrismo, a partir do pensamento decolonial, passa pelo reconhecimento de que todo conhecimento é um conhecimento situado historicamente, corporal e geopolítico.
A pretensão eurocêntrica de um conhecimento sem sujeito, sem história, sem relações de poder, um conhecimento sem lugar, descorporizado e deslocalizado, é profundamente questionada pelo pensamento decolonial, pela sua pretensão de ser um olhar de Deus/revelação ou a hibrys do ponto zero, como identifica o filósofo colombiano Santiago Castro-Gómez (2010). Em oposição a essa pretensão, o pensamento decolonial se pensa como um paradigma outro, que leva em consideração a geopolítica e o corpo político do conhecimento, isto é, a situacionalidade, a geoistória e a corporalização que articula a produção do conhecimento. Um conhecimento situado especificamente a partir da diferença colonial é o que constitui o pensamento decolonial como paradigma outro e não um novo paradigma.”
Francico Uribam Xavier de Holanda, sociólogo, filósofo, professor, escritor e ativista social em Decolonizar é preciso: o desafio de um pensamento outro


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