Leituras diárias

quinta-feira, 16 de julho de 2026


 

“Heidegger fala da desdivinação (Entgötterung) para designar a constatação da ausência de Deus. Este fenômeno designa a supressão de todas as imagens de Deus, quer elas provenham do nosso desejo moral (eros) ou da nossa representação (eidos) lógica. Como mostrou Nietzsche, a representação de Deus é a exigência que a nossa visão antropomórfica do mundo pressupõe. Se nos desembaraçarmos dos fantasmas da nossa imaginação, purificaremos, imediatamente, o nosso olhar sobre as coisas de toda a interpretação teológica. Mas, segundo Heidegger, o mundo desdivinizado e desumanizado não é o jogo provocado pela intervenção conjugada da força criadora de Dionísio e do poder sereno de Apolo: é o jogo alterado da ausência e da presença, o Acontecimento inexplicado e inexplicável que desafia toda a razão.”

 

Jean-Paul Resweber, filósofo contemporâneo francês em O Pensamento de Martin Heidegger (1979)

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