“Heidegger
fala da desdivinação (Entgötterung)
para designar a constatação da ausência de Deus. Este fenômeno designa a
supressão de todas as imagens de Deus, quer elas provenham do nosso desejo
moral (eros) ou da nossa representação (eidos) lógica. Como mostrou Nietzsche,
a representação de Deus é a exigência que a nossa visão antropomórfica do mundo
pressupõe. Se nos desembaraçarmos dos fantasmas da nossa imaginação,
purificaremos, imediatamente, o nosso olhar sobre as coisas de toda a
interpretação teológica. Mas, segundo Heidegger, o mundo desdivinizado e
desumanizado não é o jogo provocado pela intervenção conjugada da força
criadora de Dionísio e do poder sereno de Apolo: é o jogo alterado da ausência
e da presença, o Acontecimento inexplicado e inexplicável que desafia toda a
razão.”
Jean-Paul
Resweber,
filósofo contemporâneo francês em O
Pensamento de Martin Heidegger (1979)


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