O peixe não morre só pela boca

quinta-feira, 21 de junho de 2012

"A mente é o cérebro e o cérebro é um sistema físico fantasticamente complexo, mas ainda operando de acordo com leis da física - quântica ou de outra maneira. Todo estado de meu cérebro é estabelecido por fatos físicos. De fato é um estado físico."  - Alex Rosenberg  -  O guia ateísta para a realidade    

O Brasil possui aproximadamente 8.000 quilômetros de praias, costões, enseadas e restingas, bastante propícios à atividade pesqueira. Pelo menos era assim até a algumas décadas. Atualmente, o que se percebe é que a quantidade de peixes vem diminuindo. A sobrepesca, ou seja, a captura em excesso de peixes e outras espécies marinhas, tem se tornado prática constante em nosso litoral e alto mar. Se, por um lado, existe pouco controle sobre a atividade pesqueira costeira, a fiscalização da atividade em alto mar é ainda menor. Não sabemos quantos barcos e de que nacionalidades estão pescando neste momento em águas territoriais brasileiras, a 50 ou 100 quilômetros do litoral. De acordo com relatório elaborado pela ong Greenpeace Brasil, cerca de 80% das espécies economicamente exploradas no país estão correndo risco devido ao excesso de pesca.
Os problemas que afetam os ecossistemas marinhos são vários. Ainda é comum a pesca com redes de malhas finas (redes de arrasto), o que faz com que também os filhotes de peixes sejam capturados e mortos, além de destruir outras espécies sem valor comercial, mas importantes para a cadeia de alimentação da vida marinha. Outro fato que ainda ocorre é a pesca na época do defeso, período da desova de certas espécies de peixes, o que provoca a morte das fêmeas e a conseqüente diminuição das espécies. Os grandes aglomerados urbanos situados à beira-mar – cidades e balneários – também contribuem para a destruição dos ecossistemas marinhos, com o lançamento de lixo, esgoto e efluentes industriais nas águas dos oceanos.
O problema, todavia, não afeta só o Brasil. A quantidade de pescado em todo o mundo vem caindo a cada ano. Segundo especialistas, cerca de 75% da população de peixes de todo o mundo está ameaçada devido à sobrepesca, já que a exploração pesqueira é quatro vezes superior ao aceitável. Apesar disso, a indústria pesqueira de todo o mundo continua a receber grandes financiamentos dos governos, para compra de barcos e equipamentos. As frotas pesqueiras estão cada vez melhor aparelhadas, dispondo de instrumentação eletrônica capaz de localizar cardumes de peixes a dezenas de quilômetros de distância.
No Brasil, o que falta ao setor da pesca é o efetivo envolvimento do governo, através do Ministério da Pesca e da Aqüicultura, propiciando informação e capacitação aos profissionais, além de mostrar-lhes outras fontes de renda possíveis nos períodos em que a atividade deve ser suspensa. O pescador, desde que conscientizado, é um grande aliado na preservação do ambiente marinho, de onde tira seu sustento.
Os temas da proteção aos oceanos e da sobrepesca foi pouco discutido durante a Rio+20. No entanto, como dizem os cientistas e as ongs envolvidas com o assunto, é preciso ampliar urgentemente as áreas de proteção nos oceanos. Em águas internacionais quase tudo é possível; a cada ano são milhares os containers com todo tipo de produto - tóxico ou não - jogados dos navios ao mar. O processo de acumulação deste lixo jogado ao oceano pode, além de outros impactos, provocar mudanças genéticas imprevisíveis nos peixes e outros organismos marinhos dos quais nos alimentamos. 
(Imagens: fotografias de Lyonel Feininger)

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