Mudanças climáticas: o que nos espera

sábado, 14 de dezembro de 2013
"Quando pensamos no imenso caminho percorrido pela evolução desde talvez três bilhões de anos, na prodigiosa riqueza das estruturas que ela criou, na miraculosa eficiência das performances dos seres vivos, da bactéria ao homem, podemo-nos surpreender a duvidar de que tudo isso seja o produto de uma enorme teoria, tirando ao acaso números entre os quais uma seleção cega designou raros ganhadores."  -  Jacques Monod  -  O acaso e a necessidade

Há um fato que deverá afetar cada vez mais todas as atividades humanas: o fenômeno das mudanças climáticas. Estas alterações no clima, das quais já se fala desde o final dos anos 1980 e mais enfaticamente desde meados da década passada, terão influência principalmente sobre a economia. Apesar de não se saber ainda exatamente o quanto as emissões de gases provocadas por nossas atividades influenciam a temperatura da Terra e com isso o clima, já existe uma certeza muito grande de que nossa civilização tem sua parcela de culpa. O mais recente relatório preparado pelo Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, divulgado em final de setembro, traz informações mais exatas e aprofundadas sobre como a humanidade está alterando o clima e com isso interferindo com os ecossistemas terrestres.
O blog da revista americana Scientific American apresenta um artigo que aborda alguns aspectos do novo relatório do IPCC. O texto, assinado pelo editor da revista, Mark Fischetti, diz resumidamente em sua introdução que ocorrerá um aumento global das temperaturas do planeta e uma elevação do nível dos oceanos. Estes são apenas os dois aspectos principais do que ocorrerá; apresentando mais detalhes, o autor chama a atenção para as demais consequências do fenômeno.
Temperatura. Caso ocorram esforços para reduzir drasticamente as emissões de CO² (dióxido de carbono, um dos principais gases causadores das mudanças climáticas) o aumento da temperatura da atmosfera terrestre poderá ser menor que 2º Celsius até 2100, comparados com medições realizadas entre 1986 e 2005. Caso os países continuem emitindo gases no ritmo atual, a temperatura média neste período poderá se elevar em até mais 4,8º C. A variação pode não parecer drástica, mas cientistas afirmam que já uma elevação média de mais 3º C poderá ter consequências catastróficas na agricultura, na disponibilidade de água e, no caso do Brasil, na geração de eletricidade.
Nível do mar. Neste cenário descrito acima, o nível do mar poderá aumentar entre 26 cm e 98 cm. Mesmo uma elevação intermediária de 50 cm já colocará em risco muitas ilhas e provocará danos consideráveis - além de deslocamento de populações para áreas mais altas - em dezenas de cidades em todo o mundo.
Furacões. Deverá aumentar a intensidade dos ciclones que anualmente assolam a região do Caribe, a América Central e região Sul dos Estados Unidos, além de fenômenos semelhantes em outras regiões do globo. Poderão se tornar mais constantes os ciclones no Atlântico Sul, afetando principalmente o litoral dos estados da região Sul, segundo cientistas.

As consequências destes acontecimentos ainda são incalculáveis já que imprevisíveis, apesar de prováveis. Os governos, as grandes empresas e outras instituições de importância já conhecem o problema e sabem que certos acontecimentos são inevitáveis. O que a humanidade pode fazer para diminuir o impacto dos fenômenos climáticos é prepara-se com obras de infraestrutura, além de desenvolver e aplicar tecnologias que provoquem menos emissões de gases poluentes. No caso do Brasil o país deveria reduzir mais ainda o desflorestamento da Amazônia e do Cerrado, diminuir as emissões provocadas pelo setor agropecuário, investir na matriz energética renovável e reduzir a poluição nas grandes cidades.
(Imagens: fotografias de Roman Vishniac)  

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