2013: "passa a régua e fecha a conta!"

sábado, 11 de janeiro de 2014
"O equilíbrio ecológico não se quebra sem que haja repercussão profunda na esfera da cultura. Com o rompimento desse equilíbrio pode alterar-se e descaracterizar-se toda uma área da cultura. Assim a introdução do bisão numa das áreas de cultura americana foi causa de alterações profundas de ordem cultural."  -  Gilberto Freyre  -  Problemas brasileiros de antropologia

O ano de 2013 não teve acontecimentos importantes na área ambiental. Na newsletter de novembro-dezembro do meu site (www.ricardorose.com.br) escrevi o seguinte:
O ano de 2013 termina sem grandes novidades na área ambiental – o que também pode significar que nada de importante aconteceu. No setor de saneamento continuam as obras do PAC, em um ritmo aquém do necessário para um país com a extensão territorial e a população do Brasil. Segundo dados da Câmara Brasil-Alemanha e do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, os investimentos nesta área – tratamento de água e efluentes domésticos – deverão ficar em torno de R$ 12,3 bilhões; valor abaixo dos R$ 15 bilhões necessários para equacionar o problema de saneamento até 2030. Continuaremos a ser um dos países com os mais baixos índices de tratamento de esgotos em toda a América Latina.
A gestão de resíduos deve receber investimentos privados e públicos em torno de R$ 8 bilhões em 2013, segundo estudos realizados por entidades estrangeiras. Será impossível que todos os municípios brasileiros estejam preparados para atender a Lei de Resíduos Sólidos até agosto de 2014. Se por um lado faltam recursos – e aí deparamos com problemas de gestão no Ministério das Cidades, em governos estaduais e prefeituras – por outro não dispomos de técnicos suficientes para introduzir as mudanças. A falta de mão-de-obra especializada no setor ambiental continua a ser um problema. A procura por profissionais especializados só não é maior, porque o controle do cumprimento da legislação continua fraco e a pressão da opinião pública ainda é quase inexistente.
Alguns acontecimentos podem apontar novas tendências no setor da sustentabilidade em geral. A invasão do Laboratório Royal em São Roque, SP, por ativistas de associações de proteção aos animais – neste caso para resgatar cães da raça beagle usados para experiências científicas –, deve despertar um novo tipo de conscientização. Paralelamente surgirão discussões sobre o abate humanitário de animais, já que o Brasil é o maior exportador mundial de carne. O tema já é defendido há muito tempo pela ONG WSPA e precisa ser cada vez mais divulgado (http://www.wspabrasil.org/wspaswork/factoryfarming/Abate-humanitario.aspx). 
Depois do leilão da reserva de petróleo de Libra, na área do pré-sal, o governo veio a publico para dizer que as multas sobre vazamentos de petróleo poderão alcançar valores mais altos. Ao invés de apresentar as providências que teria tomado para evitar e combater prováveis vazamentos, o ministério do Meio Ambiente só fala em eventuais punições. Pelo menos 1.000 quilômetros da costa brasileira, entre Espírito Santo e São Paulo, podem ser afetados por vazamentos de petróleo – coincidentemente a região onde se concentra o maior número de turistas durante os meses de verão. Prevemos que a questão dos vazamentos de petróleo se tornará tema importante na área ambiental.
Em São Paulo aconteceram duas novas feiras internacionais de grande importância para o setor de sustentabilidade. A realização destas duas feiras – uma na área das energias renováveis e a outra na de gestão de resíduos – demonstra o interesse de empresas estrangeiras no potencial do mercado brasileiro. Assim, apesar da pouca ação do governo, o setor vai avançando e se desenvolvendo, aos trancos e barrancos. 
(Imagens: fotografias de Ute Mahler)   

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