2014: começa o "show de calouros da política"

sábado, 18 de janeiro de 2014
"Quando morto estiver meu corpo
evitem os inúteis disfarces,
os disfarces com que os vivos,
só por piedade consigo,
procuram apagar no Morto
o grande castigo da Morte"
Pedro Nava  -  O defunto

2014 é ano eleitoral. O Brasil terá eleições no Legislativo, para senadores, deputados federais e estaduais; e no Executivo, para governadores e presidente. Por isso, seremos bombardeados pela propaganda eleitoral obrigatória, que nos é impingida pela legislação criada pelos próprios políticos. Teremos que aturar candidatos tentando nos convencer de qualidades que geralmente não têm. Um verdadeiro “show de calouros da política”: meias verdades, empulhações, mentiras deslavadas... No entanto, é melhor conviver temporariamente com este espetáculo, às vezes até engraçado, do que não ter liberdade política, como no período da ditadura militar. Outro aspecto positivo nesta história é que somente uma parte dos candidatos será eleita; por sorte ainda não existem tantos cargos para tanta gente, toda ela sustentada por nossos impostos.
A atração menos enfadonha do período eleitoral são os debates transmitidos ao vivo pela TV, geralmente para cargos executivos; governadores e presidente. Vez ou outra ocorre que um dos debatedores levanta questões mais importantes e decisivas, forçando a outra parte a dar respostas claras e objetivas. Tal situação, todavia, é rara ocorrer, já que a maneira como os debates são organizados pelas emissoras de TV, de comum acordo com os partidos e as assessorias dos candidatos, cria condições para que os participantes passem incólumes pelas discussões. Rara a situação em que o candidato seja colocado em uma situação, na qual efetivamente tenha que se pronunciar sobre algo importante, ou assumir uma posição definida em relação a algum tema crítico. Assessores e canais de TV cuidam para que isso não aconteça.  
Mas o que se espera é que nesta campanha eleitoral os candidatos sejam colocados sob mais pressão. Enquanto ficar o dito pelo não dito, os políticos, depois de eleitos, terão sempre condições de fazer exatamente o contrário daquilo que declararam ou prometeram durante a campanha eleitoral. “Não foi bem isso que eu disse”, “Na prática as condições são diferentes”, são desculpas que já conhecemos há tempo.
Para controlar melhor os candidatos aos cargos eletivos, é necessário aplicar-lhes o “princípio da entrevista para emprego”. Atualmente, principalmente nas empresas de grande porte, o candidato – além de ter que apresentar diplomas e credenciais de experiência anterior – é submetido a uma série de exames (inclusive de sanidade mental), sem contar as entrevistas com o departamento da empresa que dispõe da vaga pretendida pelo candidato. Assim, a fase de campanha eleitoral poderia ser algo parecido à disputa de uma vaga de emprego para o político. De certo modo, é exatamente o que ele pretende: amealhar uma vaga para um emprego bem pago, com diversos benefícios (salário mensal, 14º e 15º salários, ajuda de custo, auxílio-moradia, reembolso de despesas médicas, verba de gabinete, carro oficial, verbas para impressão, etc.,) afora outras eventuais vantagens.
Trata-se, sem dúvida, de um “empregão”, caso contrário não haveria tantos candidatos. E o melhor deste cargo é que a aposentadoria é muito boa e o “funcionário” não pode ser facilmente demitido, como o são os empregados do setor privado. Portanto, nestas eleições façamos diferente: examinemos o currículo do candidato como o fazem as empresas, analisemos suas aptidões e até sua sanidade mental (em alguns casos bastante afetada). Porque, para todos nós que somos contribuintes, cargo político é coisa séria, e não “show de calouros”.  
(Imagens: fotografias de Brett Weston)

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