Extinção em massa

sábado, 17 de outubro de 2015
"El mas importante encuentro de mi vida: Bach. Después, Dostoyevski; luego, los escépticos griegos, después Buda... luego, pero qué importa lo que venga luego...  -  E. M. Cioran  -  Cuadernos 1957-1972

Não sabemos ao certo quantas espécies existem na Terra. A estimativa mais recente, divulgada em 2011 pelo Instituto Censo da Vida Marinha (Census of Marine Life - http://www.coml.org/), informa que o planeta tem 8,7 milhões de espécies vivas; 6,5 milhões vivendo na Terra e 2,2 milhões habitando os oceanos. A pesquisa, segundo o Instituto, pode ter uma margem de erro de 1,3 milhões de espécies para mais ou para menos. Estes dados não incluem seres vivos que não possuem núcleo celular, como as bactéria e os vírus, cujo número de espécies pode exceder o dos outros seres vivos. As espécies vivas efetivamente conhecidas e catalogadas giram em torno de 1,2 milhões. Assim, mais de sete milhões de tipos de seres vivos continuam desconhecidos e ainda não foram estudados.
O estudo de novas espécies acrescenta mais conhecimentos sobre a diversidade da vida no planeta e sua evolução. Copiando formas e propriedades da natureza através da engenharia biomimética, indústrias desenvolvem novos materiais e produtos. A medicina descobre novas drogas e a pesquisa agrícola aprofunda seu conhecimento sobre solos, novas espécies de plantas cultiváveis e técnicas de plantio. Por isso é importante a proteção da biodiversidade do planeta.
Nos últimos 500 milhões de anos a vida do planeta foi afetada por diversos cataclismos que causaram grande mortandade entre as espécies vivas. Estes acontecimentos, que podiam se estender por milhões de anos, foram chamados de extinções em massa - quando ecossistemas são totalmente destruídos ou afetados de tal maneira, que a vida já não é mais possível. A ciência conta cinco grandes extinções; sendo a maior delas a extinção do período Permiano, há cerca de 250 milhões de anos, que eliminou 95% de todas as espécies marinhas e 70% das terrestres. A outra extinção em massa importante - especialmente para nós, mamíferos - foi a extinção do Cretáceo-Paleógeno, ocorrida há 65 milhões de anos, exterminando 60% de toda a vida, incluindo todas os tipos de dinossauros, espécie dominante que foi substituída pelos mamíferos.
Fala-se hoje de uma sexta extinção, causada pelo homem, que começou há cerca de 50 mil anos, quando nossa espécie passou a ocupar novas regiões. Indícios do rápido desaparecimento de espécies, associadas à chegada do homo sapiens, são encontrados na Europa,  Austrália e Américas. Com a disseminação da prática da agricultura, há nove mil anos, o processo se acelerou cada vez mais, aumentando com a industrialização. Somos hoje uma civilização planetária, abrigando 7,5 bilhões de pessoas, explorando todos os recursos disponíveis, à custa da sobrevivência das outras espécies. Segundo estudo da universidade de Stanford, desaparecem anualmente entre 11 e 58 mil espécies (o número é uma estimativa em função do número de espécies existentes); outras tiveram suas populações reduzidas em até 30% nos últimos quarenta anos. Cálculos estimam que cerca de cinco mil espécies estão sendo dizimadas a cada ano nas florestas tropicais.
O empobrecimento destes ecossistemas torna-os mais vulneráveis aos fenômenos climáticos e a todo tipo de pragas. Apesar disso, continuamos mantendo nosso sistema de exploração dos recursos, ignorando tudo aquilo que para nós não tem uso imediato. Essa ignorância pode nos custar caro; podemos estar destruindo nossas possibilidades de sobrevivência.
(Imagens: pinturas de Ludwig Meidner) 

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