O plástico PET e sua reciclagem

segunda-feira, 5 de setembro de 2011
 "É claro que o fato de que os seres vivos têm uma organização não é exclusivo deles, mas sim comum a todas as coisas que podem ser investigadas como sistemas. Entretanto, o que lhes é peculiar é que sua organização é tal que seu produto são eles mesmos."  -  Maturana & Varela  -  A árvore do conhecimento

O PET (politereftalto de etileno) é um polímero termoplástico, popularmente conhecido como plástico, inventado na Inglaterra em 1941. Uma das principais propriedades deste plástico é a possibilidade de poder ser utilizado várias vezes. O PET começou a ser usado como matéria prima de garrafas na década de 1970, após cuidadosa pesquisa de seus efeitos sobre produtos de consumo humano. Sua reciclagem teve início nos Estados Unidos na década de 1980, pois o número excessivo de embalagens já representava um problema ambiental. Na forma reciclada, o PET passou a ser empregado em embalagens a partir dos anos 1990, depois que nos Estados Unidos o governo autorizou seu uso. O gradual barateamento na produção dos polímeros e a possibilidade de sua reciclagem, fez com que seu leque de aplicações aumentasse cada vez mais.
O PET é largamente utilizado no Brasil e sua aplicação só vem aumentando nos últimos anos com o crescimento do consumo. Em 2009, segundo a ABIPET (Associação Brasileira da Indústria do PET), foram produzidos no Brasil 14,3 bilhões de litros de garrafas PET. Ao mesmo tempo em que cresceu a produção, aumentou a quantidade de embalagens recicladas: em 2010 a reciclagem alcançou 56% das embalagens fabricadas. Esta quantidade já é considerada alta pelos especialistas do setor, mesmo levando em conta o ainda fraco desenvolvimento da coleta seletiva no país.
Em relação ao reaproveitamento do PET, no entanto, ainda há muito por fazer. Depois de um rápido crescimento da reciclagem do material entre 1994 e 2006, impulsionado pelo crescimento da economia e pelo aumento da demanda por matérias primas, a falta de uma estrutura organizada de coleta seletiva fez com que nos últimos cinco anos a reciclagem avançasse somente 1,5% a 2% ao ano.
Por falta de coleta seletiva, segundo o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), 37% dos materiais potencialmente recicláveis acabam nos lixões, misturados com outros materiais. E é exatamente a falta de coleta seletiva, segundo os especialistas, o ponto fraco da indústria do PET no Brasil. “Nós recolocamos tudo o que reciclamos na cadeia produtiva brasileira. Mas estamos estrangulados pela coleta seletiva incipiente”, afirma o presidente da ABIPET para o jornal O Estado de São Paulo.
Cabe lembrar que em dezembro de 2010 o governo aprovou a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que prevê a destinação correta de todo tipo de resíduo. A política atribui responsabilidades e providências a consumidores, fabricantes, comerciantes, prefeituras, associações de classe e catadores; enfim, todos aqueles que estão ao longo da cadeia da geração e gestão dos resíduos. A partir de 2014, segundo a lei, grande parte dos problemas relacionados com a gestão de resíduos deverá estar encaminhada ou resolvida.     
Uma prática recorrente das administrações públicas brasileiras é proibir o que não se consegue controlar. No caso de certas embalagens, alguns governos no passado tentaram proibi-las, porque eram incapazes de administrar o seu uso.  A implantação de uma bem estruturada política de gestão de resíduos pode evitar grande parte dos problemas ambientais que tal tipo de embalagem – se mal manuseada – pode gerar. Outros países conseguiram conciliar o uso do PET com um ambiente limpo; cabe ao governo fazer cumprir a lei que foi aprovada.
(imagens: João Batista da Costa)

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