O impacto imprevisível das mudanças climáticas

domingo, 8 de julho de 2012

"Fala-se, por exemplo, em aldeia global para fazer crer que a difusão instantânea de notícias realmente informa as pessoas. A partir desse mito e do encurtamento das distâncias - para aqueles que realmente podem viajar - também se difunde a noção de tempo e espaço contraídos."  -  Milton Santos  -  Por uma outra globalização 

Uma parte da luz do Sol fica retida na atmosfera da Terra na forma de calor, possibilitando uma temperatura média anual de 14,5º C em todo o globo. Se este calor escapasse totalmente para o espaço, a temperatura média da superfície terrestre seria muito mais baixa, o que teria dificultado o aparecimento da vida. Em toda a história da Terra a atmosfera sempre conteve gases e cinzas, resultado da atividade vulcânica, da evaporação da água, dos incêndios florestais e do apodrecimento da matéria orgânica. A existência dos gases de efeito estufa na atmosfera não é, portanto, uma novidade. Quando mais concentrados, a temperatura do planeta aumenta; quando em menor concentração a Terra esfria.
Ao longo de seus 4,5 bilhões de anos de existência o planeta passou por temporadas mais quentes e outras mais frias. Estas variações de temperatura, associadas a outros fatores como as mudanças climáticas e o vulcanismo, contribuíram para o surgimento e desaparecimento de seres vivos. A variação da temperatura média da Terra e sua conseqüência imediata, a mudança do clima, foram importantes fatores de destruição e criação de vida e paisagens.
A espécie humana surgiu há aproximadamente 150 mil anos e já atravessou vários períodos de mudança da temperatura da Terra. A última fase mais fria – a mais recente Era Glacial – terminou há 12 mil anos. A partir daí, em parte por influência do clima, a humanidade passou por um grande número de mudanças: criação da agricultura, da religião, do Estado, da escrita e tecnologia; do machado de pedra polida ao chip de computador foi um longo caminho para o homem, mas apenas um piscar de olhos na história da vida.
Hoje vivemos em uma sociedade tecnicamente sofisticada, segura e autosuficiente, aparentemente afastada da natureza e de suas intempéries. As necessidades humanas básicas de abrigo e alimentação – pelo menos nas sociedades mais justas – são atendidas por uma complexa estrutura econômica de produção e distribuição. Nossa civilização subsiste completamente alheia ao mundo natural; como se a atividade agropecuária e industrial, a mineração e a exploração dos recursos hídricos nada tivessem a ver com a natureza.
A grande descoberta da década de 1980 é que com nossas atividades econômicas estamos influindo no clima da Terra. A queima de combustíveis fósseis – na forma de petróleo, carvão mineral e gás natural – em processos industriais, geração de energia e para o transporte, vem gerando gases que estão se acumulando na atmosfera. Uma das conseqüências desta concentração de gases é que uma quantidade cada vez maior de calor da luz solar – os raios infravermelhos – está saturando a atmosfera, aumentando sua temperatura.
As conseqüências exatas de tal aumento da temperatura ainda não estão claras para a ciência. Em termos gerais, no entanto, já sabemos que a com a atmosfera mais quente aumenta a temperatura dos oceanos e cresce o aparecimento de furacões, tufões e todo tipo de tempestade. Pode mudar a direção normal dos ventos e, como conseqüência, a localização das nuvens. Com isso mudam os regimes de chuva, influindo na quantidade e tipos de colheitas, no nível dos reservatórios. As conseqüências para a agricultura, geração de energia, incidências de catástrofes climáticas, entre outros aspectos, são imensas e ainda imprevisíveis.   
(Imagens: fotografias de Yevgeny Khaldei)

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