A teoria do aquecimento global

quinta-feira, 6 de setembro de 2012
"Todos nós conhecemos a força das ilusões visuais para levar a mente a perceber as coisas incorretamente, mas a mais poderosa ilusão é a sensação de que existimos dentro de nossas cabeças como um coerente e integrado indivíduo ou eu."  -  Bruce Hood  -  The self illusion (a ilusão do eu) 

Nos últimos meses, voltou a esquentar a polêmica sobre o aquecimento global. Defendem alguns cientistas – os assim chamados “céticos do clima” – de que a temperatura média da Terra não está aumentando e que as mudanças climáticas por isso também não existem. Portanto, a ação das atividades econômicas sobre o clima da Terra é inócua. Todas as emissões de gases, aparentemente causadores do efeito estufa, não têm qualquer influência sobre a temperatura e o clima.
No entanto, um estudo realizado pela agência espacial americana NASA e publicado na revista científica PNAS (Proceedings of National Academy of Sciences), está revelando que efetivamente a temperatura da Terra vem aumentando nos últimos 30 anos. Ao mesmo tempo, um dos mais famosos “céticos do clima”, o climatologista e físico da Universidade da Califórnia, Richard Müller, realizando uma pesquisa em 2011, concluiu que realmente a temperatura do planeta está subindo. Ao mesmo tempo, segundo o climatologista, existem fortes indícios de que os gases provenientes das atividades humanas estejam provocando este escalada da temperatura.
Os gases de efeito estufa são originados principalmente pelos setores de geração de energia do hemisfério Norte, que queimam grandes quantidades de carvão mineral, para manter suas termelétricas em pleno funcionamento. Outro setor altamente emissor é o dos transportes – somente a frota mundial de automóveis, segundo estimativas mais recentes, está em torno de 1,1 bilhões de veículos. E isso sem contar os aviões, trens, navios e outros meios de transporte. Logo atrás destes setores, em volume de emissões, vem a atividade agrícola, que só no Brasil é responsável por mais de 50% das emissões de gases de efeito estufa. As chamadas mudanças do uso do solo quando, por exemplo, uma floresta é derrubada para dar lugar à agricultura, pastagens ou outra forma do uso da terra, liberam para a atmosfera uma grande quantidade de metano – um gás resultante da decomposição de matéria orgânica e muito prejudicial ao clima. Mesmo a atividade agrícola comum, como o plantio da cana-de-açúcar, cujas folhas cortadas apodrecem no solo, é grande geradora de emissões.
Como toda a teoria científica, o fenômeno das mudanças climáticas – resultado do acúmulo de gases na atmosfera em parte gerados pelas atividades humanas – é uma explicação bastante plausível para uma série de fenômenos. No entanto, dada a complexidade do tema, não se trata de uma teoria definitiva e correspondendo totalmente à realidade. Esta "certeza para os leigos" poucas teorias científicas efetivamente podem oferecer. Por outro lado, é preciso considerar que o grau de veracidade desta teoria já é bastante alto, fundamentado por descobertas e dados estatísticos que aparecem a cada semana. Se os argumentos dos “céticos do clima” explicam certos fenômenos de outra forma, sem utilizar a teoria do aquecimento global, há vários fatos que são mais bem harmonizados com o auxílio da teoria.
Independentemente de sua certeza, a teoria do aquecimento da Terra com a ajuda da atividade humana está prestando um grande serviço. Na pior das hipóteses está chamando a atenção para as emissões de gases causadas por nossas poluentes máquinas, pelos resíduos e lixões, pelos desflorestamentos, pelos efluentes domésticos não tratados e vários outros problemas. Se não fosse certa urgência causada por esta teoria, os governos e os grandes emissores de todo o mundo ainda estariam pensando em limpar a poluição depois de gerada – a mentalidade do tratamento de “final de tubo” –, ao invés de evitá-la, através da prevenção à poluição e da ecoeficiência.      
(Imagens: fotografias de Mukesh Parpiani)

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