O contexto socioeconomico no qual surgiu a Escola de Frankfurt

domingo, 30 de setembro de 2012
"O que explica o sucesso de muitas obras é a relação ali encontrada entre a mediocridade das idéias do autor e a mediocridade das idéias do público."  -  Sébastien-Roch Chamfort  -  Máximas e pensamento

A Escola de Frankfurt surgiu como um anexo à universidade de Frankfurt ainda em 1923. O clima político na Alemanha da época não era dos melhores. A República de Weimar, fundada depois da queda do imperador Guilherme II em 1919, com a derrota da Alemanha na 1ª Guerra Mundial, já nasceu conturbada. Dívidas externas, desemprego, rivalidades entre diversas correntes políticas, greves, tudo isso assolava a nação alemã. Como se não bastasse, houve uma tentativa de um golpe político, dado em 1922 por um obscuro líder político de grupos direitistas, chamado Adolf Hitler. Nesse ambiente deram-se as primeiras produções intelectuais da Escola de Frankfurt.
Em 1930, Max Horkheimer assume a diretoria da instituição e escolhe alguns intelectuais para fazerem parte da agremiação. O ambiente social e político da Alemanha não havia melhorado muito, ao contrário. Foi no início dos anos 1930 que a Alemanha começava a sentir os fortes efeitos da crise da Bolsa de Nova York (1929). As rivalidades políticas aumentam; de um lado socialistas, comunistas e social-democratas e de outros grupos direitistas de diversos graus de radicalismo. Os liberais perdem gradativamente a força, enquanto aumentava o desemprego, a miséria e a falta de perspectivas.
Em 1933 o partido nacional-socialista tem maioria no Parlamento e consegue guindar Adolf Hitler para o cargo de Chanceler. Começa então um período de crescente autoritarismo e antissemitismo. A Escola de Frankfurt, que sempre teve uma visão crítica, influenciada pelo marxismo (neomarxismo) não tem mais função nessa sociedade. Ainda mais, porque a maioria de seus integrantes era de origem judaica. Este o contexto de totalitarismo político no qual nasceu a Escola de Frankfurt. 
No entanto, o fato de ter nascido em um ambiente político e social como este, diferente do atual, em nada invalida as teorias críticas elaboradas por esta escola de pensamento. Em muitos aspectos, ainda vivemos em um ambiente sócio-cultural semelhante àquele da Alemanha da década de 1930, principalmente no que se refere à valorização da racionalidade, associada à produção industrial e a uma suposta visão objetiva do mundo. Igualmente, nossa sociedade capitalista pós-industrial sustenta cada vez uma idéia de racionalidade, principalmente através de seus frutos diretos; a ciência e a tecnologia – que por sua vez servem à economia.
Outro aspecto é que indústria cultural, identificada e analisada pelos pensadores da Escola de Frankfurt, está muito mais entranhada na própria estratégia de desenvolvimento do capitalismo. Atualmente, muito mais do que na Alemanha nazista e no capitalismo de 1930, a indústria cultural está associada com a produção cultural, de uma maneira quase inseparável.
(Imagens: fotografias de Christophe Lecoq)

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