Estratégias de exploração dos recursos naturais

domingo, 4 de novembro de 2012
"Resta uma pegunta para a qual não tenho resposta. Perguntaram-me se acredito em Deus. Respondí com os versos do Chico: "Saudade é o revés do parto. É arrumar o quarto do filho que já morreu". Qual é a mãe que mais ama? A que arruma o quarto para o filho que vai voltar ou a que arruma o quarto para o filho que não vai voltar? Sou um construtor de altares. É o meu jeito de arrumar o quarto. Construo meus altares à beira de um abismo escuro e silencioso. Eu os construo com poesia e música. Os fogos que neles acendo aluminam o meu rosto e me aquecem. Mas o abismo permanece escuro e silencioso"  -  Rubem Alves  -  Pimentas - para provocar um incêndio não é preciso fogo

Produtividade máxima sustentável e estratégia de exploração por quota fixa e esforço fixo. Como estas técnicas de exploração procuram extrair produções máximas sustentáveis de populações naturais?
O termo “produtividade máxima sustentável” é um termo que relaciona a ecologia com a economia. Trata-se da máxima produção que se pode obter de qualquer produto natural – vegetal ou animal – sem que o ambiente onde ocorra esta produção (extração, cultura ou criação) seja prejudicado, ou seja, mantenha sua sustentabilidade. Um exemplo interessante nos é dado com o plantio de açaí nativo, feito pela Embrapa. Segundo o estudo vemos que há uma interferência no ambiente natural onde a planta é encontrada. Diz o texto: “Nas áreas destinadas para a produção de frutos, normalmente, são eliminados os estipes de açaizeiro excedentes das touceiras e, também, algumas plantas de outras espécies, com vistas à redução da concorrência por água, luz e nutrientes. Ambos os casos provocam sensíveis alterações nos fatores que afetam a produtividade dessa palmeira. No caso da exploração do palmito, são eliminadas grandes quantidades de estipes de açaizeiro em decorrência da própria atividade.” (Nogueira, 2006).
No entanto, vemos que mesmo com esta interferência, é mantida a sustentabilidade do ambiente, segundo afirma e especialista da Embrapa: “O manejo tem sido enfatizado como a forma de garantir a extração sustentada dos recursos naturais. No extrativismo da madeira, pesca e caça, por exemplo, há a preocupação de serem igualadas as taxas de extrações com a capacidade de regeneração. No entanto, a taxa de extração biológica, muitas vezes, não garante a sustentabilidade econômica.” (Nogueira, 2006 – negrito nosso). A grande dificuldade deste tipo de exploração econômica é o número de variáveis com as quais se precisa trabalhar. No caso da plantação de açaí é preciso considerar as taxas de luminosidade para as plantas, área de solo disponível, umidade, espaço, concorrência de outras espécies, etc.
O termo estratégia de exploração por quota fixa e esforço fixo refere-se à exploração econômica de um ecossistema, do qual se extrai quantias fixas de produto natural. Um exemplo típico é a fixação de cotas de pesca de peixes, caranguejos ou lagostas, durante certos períodos do ano em certas regiões. Não se sabe exatamente como anda, por exemplo, a taxa de reprodução dos caranguejos – é por isso que estes ecossistemas precisam ser constantemente monitorados. A pesca da lagosta no Nordeste, por exemplo, atinge volumes cada vez mais baixos, devido a um histórico de pesca predatória que ainda continua. Além disso, é preciso acompanhar constantemente a tecnologia empregada no processo da pesca, já que a melhoria desta tecnologia pode proporcionar a captura de maiores quantidades de pescado em menos tempo. Atinge-se uma alta produtividade que, todavia, em pouco tempo exaure os recursos naturais – neste caso as lagostas.
Estas estratégias de exploração procuram extrair quantidades máximas de populações naturais através de um constante monitoramento das condições do ecossistema que está sendo explorado. No caso do açaí, por exemplo, uma seca pode deixar certos espécimes mais fracos, comprometendo a quantidade de frutos produzidos. O mesmo pode acontecer entre os caranguejos já citados, onde mudanças de temperatura da água podem aumentar ou diminuir o nascimento de fêmeas, o que pode apontar para uma tendência de aumento ou diminuição no nascimento de novos indivíduos no futuro.
Trata-se, pois, de um tipo de exploração que requer muito cuidado e acompanhamento, com o risco de destruir espécies ou ecossistemas inteiros, dependendo da importância desta espécie explorada na cadeia alimentar do sistema em que se encontra.
Bibliografia:
Nogueira, Oscar L. Sistemas de Produção do Açaí. Embrapa, 2006. Disponível em:
Ecologia aplicada – Aula 4 . Disponível em:
(Imagem: fotografias de Geraldo de Barros)

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