Precisamos de alimentos mais saudáveis

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

"A cultura da cana, no Nordeste, aristocratizou o branco em senhor e degradou o índio e principalmente o negro, primeiro em escravo, depois em paria. Aristocratizou a casa de pedra-e-cal em casa-grande e degradou a choça de palha em mucambo. Valorizou o canavial e tornou desprezível a mata.  -  Gilberto Freyre  -  Nordeste 

A questão ambiental não diz somente respeito à maneira como nos relacionamos com a natureza, através de nossas atividades econômicas. Está presente também no meio ambiente humano, formado pelas relações econômicas e culturais entre os membros da sociedade. Sendo assim, a maneira como construímos nossas casas, nos vestimos ou nos alimentamos, além de ter um impacto sobre a natureza - já que todas as matérias primas para estas atividades são extraídas do meio ambiente natural - também têm influências no ambiente humano.
Um exemplo típico é a questão da alimentação. Por um lado, afetamos o meio ambiente natural ao derrubarmos a vegetação original para preparar o solo, ao construirmos canais de irrigação ou quando aplicarmos defensivos agrícolas às plantações. Por outro, influenciamos o meio ambiente humano quando preparamos os produtos agropecuários destinados à alimentação, da colheita até o cozimento. Sendo assim, a questão alimentar também é um tema ambiental. Afinal, também somos - com nossas sociedades complexas e altamente tecnológicas - parte do meio ambiente.
Por isso, chamaram a atenção os estudos elaborados pela ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), que constataram diversas irregularidades em alimentos vendidos ao consumidor brasileiro. Em seus principais aspectos, foram encontradas quantidades excessivas de sódio, teores acima dos recomendados de gordura saturada e trans, e doses exageradas de açúcar. Todos estes componentes são causadores de doenças crônicas como hipertensão, diabetes tipo 2, problemas cardíacos, problemas renais, obesidade e várias outras enfermidades.
A pesquisa realizada pela ANVISA constatou, por exemplo, que o macarrão instantâneo, dentre 20 categorias de alimentos analisados, foi o produto com a maior quantidade de sódio; um pacote de salgadinho de milho ultrapassa a quantidade máxima de sódio recomendada para consumo em um dia. No caso da batata palha, 55% das nove marcas continham teores de gordura saturada bem acima do recomendado; o mesmo foi constatado em biscoitos feitos de polvilho. Muitos sucos produzidos a base de néctar, também apresentaram quantidades excessivas de açúcar; os refrigerantes de baixas calorias também continham altos níveis de sódio, segundo a ANVISA devido aos corantes.
A agência governamental declarou que não pretende aplicar punições às empresas infratoras já que, segundo ela, os fabricantes mostraram a intenção de melhorar a qualidade de seus produtos. A ANVISA não pode recomendar o consumo de um tipo ou uma marca de produto em detrimento de outros. No entanto, alerta a população de que existem alimentos iguais, mas menos saudáveis, sendo importante que o consumidor se informe a respeito do produto que está ingerindo.
A alimentação é a base do equilíbrio vital do organismo humano, da saúde. Uma alimentação balanceada e saudável, associada à atividade física regular, é a melhor profilaxia contra as doenças do coração e o câncer, enfermidades que mais matam no Brasil. Por outro lado, é obrigação das empresas colocarem no mercado somente produtos de qualidade, cujo consumo no longo prazo não prejudique a saúde da população – uma questão de honestidade e segurança. 
Cabe aqui o argumento de que se uma empresa conscientemente coloca no mercado produtos que podem causar danos à saúde, esta deverá ser corresposabilizada nos custos do posterior tratamento de saúde do consumidor.  
(Imagens: fotografias de Walker Evans)

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