Previsões para a área ambiental - 2015

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

(Publicado originalmente na seção "newsletter" do site www.ricardorose.com.br)

Os primeiros dias do ano já começam a indicar o rumo que o país deverá seguir ao longo de 2015. No plano econômico haverá aumento de tarifas, redução dos investimentos públicos e – se tivermos sorte – corte no custeio da máquina do governo. O setor privado deverá acompanhar o ritmo da música e não fará novos investimentos. Todo mundo cozinhando em fogo brando para ver como a economia se comportará até o final do ano – as previsões de crescimento do PIB para 2015 são abaixo de 1%.

Na área política, o governo deverá continuar atendendo às demandas da base aliada, tentando garantir maioria no Congresso – situação, aliás, pouco difícil, já que não existe efetivamente uma oposição. Afora um ou outro comentário feito na tribuna do Senado pelo candidato derrotado à presidência senador Aécio Neves, não existe quase manifestações contra os atos do governo. As nuvens escuras da lista dos políticos envolvidos no Petrolão, a ser divulgada em janeiro ou fevereiro, parecem estar colocando muitos políticos de sobreaviso. Prenúncio de tempestade no horizonte do Congresso.

Enquanto isso, o país continua como sempre: vivendo da mão para a boca; correndo pela manhã atrás dos recursos que precisará para pagar as contas do final da tarde. Consertando aqui e ali, tapando buraco acolá, mas sem um planejamento; sem uma estratégia de médio e longo prazo. O Brasil continua como sempre: refém de interesses políticos e de grupos de pressão, às voltas com a corrupção que beneficia alguns, mas sem um planejamento da rota que o país deverá tomar. Permanecemos reféns de políticos e políticas de segunda categoria que, evidentemente, trazem vantagens para alguns, mas não para a maior parte dos cidadãos.

Com tudo isso, não dá para esperar grandes avanços no setor ambiental – o que também não é novidade para os que atuam no setor. Nesta área o país já realiza muito, quando não faz nada: os grandes avanços do Brasil no meio ambiente são a redução do desmatamento na região amazônica. Também na área ambiental estamos sempre correndo atrás do prejuízo, sem projetos e recursos suficientes para implantar ações que possam direcionar o futuro. Um dos únicos projetos com estas características, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, foi postergado para um tempo ainda indefinido.

Para 2015, portanto, mais do mesmo. Continuam os investimentos minguados em saneamento (que o diga a baía da Guanabara e o rio Tietê), sobra algum trocado para que as agências ambientais possam continuar funcionando (ações de comando e controle), serão realizados alguns seminários e assinados novos convênios (muitos inócuos), mas é só. Com uma economia capengando, sem planejamento e com várias outras prioridades, a questão ambiental não receberá a atenção que tem em outros países. Os recursos naturais se deterioram e, entra ano e sai ano, o país “tem outras prioridades”.      

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