Represa Billings poderia fornecer mais água para a RMSP

sábado, 24 de janeiro de 2015
"Na vida humana tudo é sofrimento
e não há trégua para nossas penas,
porém o que talvez seja melhor 
que esta existência está envolto em trevas
e oculto nas nuvens."
Eurípides  -  Hipólito

A represa Billings tem reserva hídrica pouco superior ao sistema Cantareira e já vem abastecendo parcialmente os municípios de Santo André, São Bernardo, Diadema, Ribeirão Pires, Rio Grande da Serra e parte da capital. Além disso, o reservatório também fornece água para geração de eletricidade na usina Henry Borden, em Cubatão. Dada sua localização estratégica a Billings teria possibilidades de melhorar o abastecimento de água da Região Metropolitana de São Paulo (RMSP), não fosse a poluição de suas águas.
A represa Billings foi idealizada na década de 1940 pelo engenheiro americano Asa White Kenney Billings (1876-1949), a serviço da companhia Light & Power Company. O reservatório ficou pronto nos anos 1950, com a principal função de fornecer água para o acionamento da usina hidrelétrica Henry Borden, em Cubatão, gerando 889 megawatts. Para aumentar o volume da Billings, a partir de 1952 o rio Pinheiros – localizado na zona Oeste/Sul de São Paulo – começava a ser bombeado para o reservatório. O rio era contaminado com efluentes domésticos e industriais que, sem tratamento, também eram carreados para a represa. A resolução da constituição paulista de 1989, determinando que o volume da Billings fosse prioritariamente utilizado para abastecimento público, fez com que a partir de 1992 fosse suspenso o bombeamento do rio para a represa.
Apesar de dispor de mais água do que o sistema Cantareira – 995 contra 982 bilhões de litros – os recursos hídricos da Billings continuam sendo subutilizados, principalmente por causa da poluição causada por diversas fontes. Um estudo da Universidade de São Paulo realizado em 2010 apontava que o fundo do reservatório estava contaminado por metais pesados; como cobre, chumbo, níquel e zinco, carregados para a Billings pelo rio Pinheiros ao longo de anos de bombeamento. Obras de dragagem destes resíduos poderiam dissolvê-los mais ainda e aumentar a turbidez da água. Outro aspecto é a poluição através de esgotos, que em diversas áreas que margeiam a Billings – na zona Sul de São Paulo e na região do ABCD – são lançados as água sem qualquer tipo de tratamento, principalmente por loteamentos clandestinos.
As empresas de saneamento das prefeituras do ABCD planejam tratar 100% dos efluentes domésticos até 2018, reduzindo assim o impacto sobre a represa. Em São Paulo, no entanto, o problema ainda parece estar longe de uma solução, já que as invasões às margens da represa tornam-se cada vez mais comuns. Em alguns casos são centenas de famílias, que só podem ser desalojadas com ajuda de força policial. As obras de construção do Rodoanel ainda trouxeram mais invasões à região, aumentando os pontos de assoreamento, disposição de lixo e despejo de efluentes.
Especialistas apontam que a principal providência para recuperar a Billings é impedir que os resíduos ou efluentes cheguem às suas águas. Para tanto, seriam necessárias obras de saneamento e urbanização no entorno do reservatório, incluindo desalojar ocupações clandestinas e realocar estas populações. Por seu tamanho, por receber chuvas e ventos que chegam do oceano e por estar em grande parte ainda cercada por áreas verdes, a represa ainda tem boas chances de se autodepurar ao longo dos anos. A recuperação deste manancial é importante e urgente na estratégia de segurança hídrica do estado de São Paulo.
(Imagens: fotografias de Oliver Wutscher)   

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