Comentários sobre o setor ambiental brasileiro

quarta-feira, 8 de julho de 2015

(publicado originalmente no site www.ricardorose.com.br como "Newsletter julho/agosto 2015")

A situação política no país continua interessante. As últimas denúncias da Operação Lava Jato, feitas pelo empresário Ricardo Pessoa, incriminam ainda mais o PT, ministros de governo e até figuras da oposição. O avanço da investigação da polícia federal aliada às denúncias premiadas, colocam o governo Dilma em uma situação cada vez pior perante a opinião pública. A presidente, em visita aos Estados Unidos, descredencia o depoimento de Pessoa e, com razão, exige provas.
Apesar de ter passado a condução política de seu governo para o vice, Michel Temer, o segundo mandato de Dilma continua com muita dificuldade para decolar. Persistem os atritos com o Legislativo e a avaliação da presidente é ruim ou péssima para 65% da população. A inflação, apesar da alta constante dos juros, não cede e até sobe. A taxa de desemprego bate nos 7%, aumenta mês a mês e as perspectivas para retomada do crescimento são colocadas cada vez mais longe no futuro - agora estão em 2017.
O setor ambiental também não avança. Em São Paulo, é significativo o fato de que mais uma vez a cidade de Bom Jesus de Pirapora, situada na região metropolitana às margens do rio Tietê, foi invadida por quantidades imensas de espuma branca malcheirosa. O fenômeno é resultado da mistura de detergente doméstico com efluentes e ocorre porque apenas uma parte do esgoto da cidade de São Paulo é tratada. A nível federal a situação é a mesma e nem os projetos de saneamento contratados no âmbito do PAC estão sendo todos terminados.
Para a 21ª  Conferência sobre o Clima, promovida pelas ONU em Paris em 1 de outubro próximo, apenas a sociedade civil apresentou proposta de metas de redução de emissões de CO². O governo ainda está discutindo a questão internamente e nas próximas semanas deverá se posicionar a respeito. Segundo as ONGs, dentre os objetivos que necessariamente deveriam constar da pauta a ser apresentada pelo Brasil, constam metas como: aumentar o uso das energias renováveis e diminuir o das termelétricas, melhorar a oferta de transporte público não poluente e incentivar o uso de veículos elétricos. A agropecuária também deverá dar suas contribuições, otimizando a área plantada e melhorando a gestão dos resíduos da criação animal. Além disso, é preciso que o país continue a diminunir o desmatamento, até chegar a eliminá-lo completamente - o que o governo agora diz que vai acontecer em 2030.
Ainda não existem fatos novos quanto à Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS). Nesta newsletter apenas reproduzimos uma frase que consta do site do Ministério do Meio Ambiente, na página referente à política: "Além disso, os instrumentos da PNRS ajudarão o Brasil a atingir uma das metas do Plano Nacional Sobre Mudanças do Clima, que é de alcançar o índice de reciclagem de resíduos de 20% em 2015," Sem mais comentários.
O Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, quase passou despercebido. Em um artigo publicado por ocasião da data, escrevi: "Em meio a tantas outras prioridades, o meio ambiente parece ter perdido sua importância na agenda dos governos, nos planos das empresas e até como tema de conversa entre as pessoas. No entanto, vale lembrar que pelo menos dois grandes problemas por que passa o país e que estão afetando muito a economia, a falta d'água e de energia, são assuntos diretamente ligados ao meio ambiente. Gestão de recursos hídricos, uso de energias renováveis, eficiência energética são temas de debates entre ambientalistas, cientistas, sociedade civil e o governo - pelo menos nos países onde a questão ambiental vem avançando para soluções."
A frase "quando os orçamentos estão no vermelho, ninguém pensa no verde" é mais atual do que nunca. Grande parte da imprensa ambiental enfrenta dificuldades para sobreviver e muitos jornalistas continuam atuando no setor apenas por idealismo. Se em tempos de crescimento da economia as publicações sobre meio ambiente já não tinham muitos patrocinadores, em períodos de recessão econômica o quadro ainda é mais desanimador.
(Imagens: fotografias de Alexey Bednij)

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