Perguntando é que se aprende! (III)

sexta-feira, 12 de agosto de 2011
O custo de produção de energia elétrica no Brasil, com cerca de 84% de origem hídrica, é um dos mais baratos do mundo. A maior parte dos investimentos para geração e distribuição da eletricidade - como as hidrelétricas, as torres e estações de  transmissão - foram amortizados.

Em resumo, a nossa energia é barata; ou deveria ser. A tarifa média paga pelo consumidor brasileiro chega a U$ 60 o MWh, enquanto no resto do mundo está em U$ 30 MWh. Cerca de 50% dos custos de eletricidade pagos na conta são impostos.

Por outro lado, grande parte da distribuição de energia está privatizada. Para controlar as empresas atuantes no setor o governo criou a ANEEL - Agência Nacional de Energia Elétrica. Esta deveria defender os interesses do consumidor.

Mas, diante da sucessão de mini-apagões em cidades como São Paulo e Rio de Janeiro, onde operam respectivamente as empresas Eletropaulo e Light, cabe perguntar se as distribuidoras estão realmente preocupadas com a qualidade dos serviços que prestam. Fato é que tanto em São Paulo como no Rio de Janeiro a queda de energia tornou-se parte da rotina. Os PROCONs, órgãos de defesa do consumidor, estão entulhados de reclamações contra as duas distribuidoras.

Esta situação levanta questões como:
Os constantes apagões já acontecem há alguns anos. No entanto, afora algumas multas relativamente baixas - às quais as empresas podem recorrer - a ANEEL pouco fez para defender os interesses dos cidadãos-contribuintes.
O Brasil está colocado entre os países mais ricos do mundo - já somos a sétima economia. Será que a distribuição de eletricidade em países com PIB comparável ao do Brasil também funciona desta maneira? Será que na Itália (8ª economia), no Canadá (11ª), na Espanha (12ª) ou Austrália (13ª) as cidades e os bairros também estão constantemente sujeitos a apagões? Mas, por que acontece no Brasil? Quem é o culpado?

Em tempo: alguém já tentou dar andamento a uma reclamação por falta de luz? Já viu como todo o processo é burocrático; a começar pela operadora, passando pela agência de energia estadual, até chegar à ANEEL? Por que será?

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