Desenvolvimento sustentável ainda é possível?

quinta-feira, 26 de abril de 2012
"Por outras palavras, a ateísmo não constitui realmente um desafio externo ao teísmo; foi, em contrapartida, uma revolução no seio da própria teologia que deu origem ao ateísmo. O que significa defender que as origens do ateísmo moderno são, em última análise, teológicas."  -  Michael Martin  -  Um mundo sem Deus: ensaios sobre o ateísmo

O conceito de desenvolvimento sustentável foi definido pela primeira vez pelo Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, em 1987. Definia-se da seguinte maneira: “O desenvolvimento que procura satisfazer as necessidades da geração atual, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias necessidades, significa possibilitar que as pessoas, agora e no futuro, atinjam um nível satisfatório de desenvolvimento social e econômico e de realização humana e cultural, fazendo, ao mesmo tempo, um uso razoável dos recursos da terra e preservando as espécies e os habitats naturais.”
A definição do que é desenvolvimento sustentável foi sendo aprimorada, recebendo detalhamentos (quanto à melhor maneira do uso dos recursos) em diversas comissões posteriores, como Conferência das Nações Unidas sobre o Ambiente e o Desenvolvimento, a RIO 92. Segundo consenso comum, o desenvolvimento sustentável é composto por três componentes: a) A sustentabilidade ambiental, ou seja, permitir que os ecossistemas sejam conservados, permitindo que continuem prestando os serviços ambientais para o homem e as outras espécies; b) A sustentabilidade econômica, ou seja, permitir a manutenção do crescimento econômico com a incorporação de práticas de gestão mais eficientes dos recursos; e c) A sustentabilidade social, que implica a incorporação das preocupações sociais ao crescimento, propiciando melhor padrão de vida a toda a população.
De uma maneira simplificada existem três visões distintas do desenvolvimento sustentável. Primeiramente, o grupo que pensa que o crescimento deverá ser abolido, que a economia deve entrar em uma condição estacionária, na qual bens, serviços, produtos, etc., serão apenas substituídos, sem que haja qualquer aumento da produção. Dessa forma seria diminuída a dissipação de energia e perdas de insumos ao longo de todo o processo econômico. Este grupo de pensadores defende o que se convencionou chamar de economia em estado estacionário.
O outro grupo é formado por aqueles que dizem que podemos fazer o melhor possível para minorar nosso impacto sobre os recursos naturais, mas que estes, por final, acabarão. Isto significará a decadência de nossa espécie, caso não possamos desenvolver outra solução tecnológica até agora não conhecida.
Por fim, temos o grupo dos otimistas, que pensam que a tecnologia com o tempo resolverá todos os nossos problemas de energia, alimentação e ambientais, e que poderemos manter o nosso tipo de economia.
O mais provável é que tenhamos deixado de ser sustentáveis quando, há oito mil anos, começamos a regulamente a praticar a agricultura – por motivos climáticos. O alimento disponível, a caça, deslocou-se para outras regiões ou simplesmente desapareceu com a mudança do clima no final da última glaciação. A agricultura deu início ao desenvolvimento da tecnologia e com esta ao aumento da população. Um planeta que pode no máximo sustentar – de acordo com os padrões dos países desenvolvidos – dois bilhões de habitantes, está acomodando mais de sete bilhões. Desta forma, mesmo que haja um forte decrescimento da população nos próximos séculos, será pouco provável que venhamos a ser sustentáveis – a 2ª lei da termodinâmica nos impede definitivamente de sê-lo.
(Imagens: fotografias de Dora Kallmus)

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