O que dizem os jornalistas

sábado, 14 de fevereiro de 2026

 

Apparício Fernando de Brinkerhoff Torelly, também conhecido pelo falso título de nobreza de Barão de Itararé (1895-1971), foi jornalista, escritor e pioneiro do humorismo político brasileiro. Iniciou estudos de medicina, que mais tarde abandona, e paralelamente começa a contribuir em jornais de seu estado, o Rio Grande do Sul. Em 1925 muda para o Rio de Janeiro e começa a trabalhar para o jornal O Globo. No ano seguinte passa a escrever coluna humorística do jornal A Manhã e ainda no mesmo ano cria seu próprio semanário, A Manha.

Durante a Revolução de 1930, propagou-se pela imprensa que haveria uma batalha sangrenta em Itararé, na divisa de São Paulo com o Paraná. Mas antes que houvesse a batalha ‘mais sangrenta da América do Sul’, fizeram acordos. Uma junta governativa assumia o poder no Rio de Janeiro e não aconteceu nenhum conflito. O Barão de Itararé comentaria este fato mais tarde da seguinte maneira:

Foi então que resolvi conceder a mim mesmo uma carta de nobreza. Se eu fosse esperar que alguém me reconhecesse o mérito, não arranjava nada. Então passei a Barão de Itararé, em homenagem à batalha que não houve.’

Na verdade, em outubro de 1930, Apparicio se autodeclara ‘duque’ nas páginas de A Manha:

O Brasil é muito grande para tão poucos duques. Nós temos o quê por aqui? O duque Amorim, que é o duque dançarino, que dança bem mas não briga e o duque de Caxias que briga muito bem, mas não dança. E agora eu, que brigo e danço conforme a música.'

Mas, como ele próprio anunciara semanas depois, ‘como prova de modéstia, passei a barão’.

Em 1934, fundou também o Jornal do Povo. Nos dez dias em que durou, o jornal publicou em fascículos a história de João Cândido, um dos marinheiros da Revolta da Chibata, de 1910. Em represália, o barão foi sequestrado e espancado por oficiais da Marinha, até hoje nunca identificados. Depois desse episódio, voltou à redação do jornal e colocou uma placa na porta onde se lia: ‘Entre sem bater’, mantendo o seu espírito humorístico.

O jornal A Manha circulou até fins de 1935, quando o Barão foi preso por ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), então clandestino. Foi libertado em dezembro de 1936, já ostentando a volumosa barba que cultivaria por boa parte de sua vida. Retomou o jornal por um curto período, até que viesse nova interrupção, ao longo de todo o Estado Novo e voltando em edições espasmódicas até 1959.

Foi candidato em 1947 a vereador do então Distrito Federal, com o lema ‘Mais leite! Mais água! Mas menos água no leite’. Porém, em janeiro de 1948, os vereadores do PCB foram cassados: ‘Um dia é da caça... os outros da cassação’, anunciou A Manha.

No final dos anos 1950, foi deixando o humor de lado e passou a se interessar pela ciência, e pelo esoterismo, estudou filosofia hermética, as pirâmides do Antigo Egito e a astrologia, campo no qual desenvolveu o ‘horóscopo biônico’. Faleceu, dormindo, em seu apartamento no bairro carioca de Laranjeiras.


(Fonte do texto: adaptação de texto da Wikipedia)

 

Algumas observações do Barão de Itararé:


“A criança diz o que faz, o velho diz o que fez e o idiota o que vai fazer.”

“Os homens nascem iguais, mas no dia seguinte já são diferentes.”

“A forca é o mais desagradável dos instrumentos de corda.”

“O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro.”

“De onde menos se espera, daí é que não sai nada.”

“Nunca desista do seu sonho. Se acabou numa padaria, procure em outra!”

“A moral dos políticos é como elevador: sobe e desce. Mas em geral enguiça por falta de energia, ou então não funciona definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele.”

“Os bancos das praças estão sempre ocupados por desocupados”

“Este mundo é redondo, mas está ficando muito chato.”

“Tudo é relativo: o tempo que dura um minuto depende de que lado da porta do banheiro você está.”

 

(Fonte das frases: Site Bula Revista, Acervo O Globo e Site Cliente SA)

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