Apparício Fernando de Brinkerhoff
Torelly, também conhecido pelo falso título de nobreza de Barão
de Itararé (1895-1971), foi jornalista, escritor e pioneiro do
humorismo político brasileiro. Iniciou estudos de medicina, que mais tarde
abandona, e paralelamente começa a contribuir em jornais de seu estado, o Rio
Grande do Sul. Em 1925 muda para o Rio de Janeiro e começa a trabalhar para o
jornal O Globo. No ano seguinte passa
a escrever coluna humorística do jornal A
Manhã e ainda no mesmo ano cria seu próprio semanário, A Manha.
Durante
a Revolução de 1930, propagou-se pela imprensa
que haveria uma batalha sangrenta em Itararé,
na divisa de São Paulo com o Paraná.
Mas antes que houvesse a batalha ‘mais sangrenta da América do Sul’, fizeram
acordos. Uma junta governativa assumia o poder no Rio de Janeiro e não
aconteceu nenhum conflito. O Barão de Itararé comentaria este fato mais tarde
da seguinte maneira:
‘Foi então que resolvi conceder a mim mesmo
uma carta de nobreza. Se eu fosse esperar que alguém me reconhecesse o mérito,
não arranjava nada. Então passei a Barão de Itararé, em homenagem à batalha que
não houve.’
Na
verdade, em outubro de 1930, Apparicio se autodeclara ‘duque’ nas páginas de A Manha:
‘O Brasil é muito grande para tão poucos
duques. Nós temos o quê por aqui? O duque Amorim, que é o duque dançarino, que
dança bem mas não briga e o duque de Caxias que briga muito bem, mas não dança.
E agora eu, que brigo e danço conforme a música.'
Mas,
como ele próprio anunciara semanas depois, ‘como prova de modéstia, passei a
barão’.
Em
1934, fundou também o Jornal do Povo.
Nos dez dias em que durou, o jornal publicou em fascículos a história de João Cândido,
um dos marinheiros da Revolta da Chibata, de 1910. Em represália, o
barão foi sequestrado e espancado por oficiais da Marinha, até hoje nunca
identificados. Depois desse episódio, voltou à redação do jornal e colocou uma
placa na porta onde se lia: ‘Entre sem
bater’, mantendo o seu espírito humorístico.
O
jornal A Manha circulou até
fins de 1935, quando o Barão foi preso por ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), então
clandestino. Foi libertado em dezembro de 1936, já ostentando a volumosa barba
que cultivaria por boa parte de sua vida. Retomou o jornal por um curto
período, até que viesse nova interrupção, ao longo de todo o Estado Novo e voltando em edições
espasmódicas até 1959.
Foi
candidato em 1947 a vereador do então Distrito Federal, com o
lema ‘Mais leite! Mais água! Mas menos
água no leite’. Porém, em janeiro de 1948, os vereadores do PCB foram
cassados: ‘Um dia é da caça... os outros
da cassação’, anunciou A Manha.
No
final dos anos 1950, foi deixando o humor de lado e
passou a se interessar pela ciência, e pelo esoterismo,
estudou filosofia hermética, as pirâmides do Antigo Egito e
a astrologia,
campo no qual desenvolveu o ‘horóscopo biônico’. Faleceu, dormindo, em seu
apartamento no bairro carioca de Laranjeiras.
(Fonte do texto: adaptação de texto da Wikipedia)
Algumas
observações do Barão de Itararé:
“A criança diz o que faz, o velho diz o que fez e o idiota o que vai fazer.”
“Os homens nascem iguais, mas no dia
seguinte já são diferentes.”
“A forca é o mais desagradável dos
instrumentos de corda.”
“O tambor faz muito barulho, mas é vazio
por dentro.”
“De onde menos se espera, daí é que não
sai nada.”
“Nunca desista do seu sonho. Se acabou
numa padaria, procure em outra!”
“A moral dos políticos é como elevador:
sobe e desce. Mas em geral enguiça por falta de energia, ou então não funciona
definitivamente, deixando desesperados os infelizes que confiam nele.”
“Os bancos das praças estão sempre
ocupados por desocupados”
“Este mundo é redondo, mas está ficando
muito chato.”
“Tudo é relativo: o tempo que dura um
minuto depende de que lado da porta do banheiro você está.”
(Fonte das frases: Site Bula Revista, Acervo O Globo e Site Cliente SA)


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