Segredos
da arte mágica surrealista
Composição
surrealista escrita, ou primeiro e último esboço
“Instale-se
confortavelmente no lugar mais favorável à concentração de sua mente e faça com
que lhe tragam material de escrita. Abstraia de seu gênio, de seu talento, e
também do gênio e do talento dos outros. Diga a si mesmo que a literatura é um
dos mais tristes caminhos que levam a tudo. Escreva rápido, sem qualquer
assunto preconcebido, rápido bastante para não reter na memória o que está
escrevendo e para não se reler. A primeira frase surgirá por si mesma, a tal é
verdade que, a cada segundo, ocorre uma frase estranha ao nosso pensamento
consciente, que mais não quer do que se exteriorizar. É muito difícil
pronunciar-se sobre o caso da frase seguinte; ao que tudo indica, ela
participa, ao mesmo tempo de nossa atividade consciente e da outra, se admitirmos
que o fato de ter escrito a primeira implica um mínimo de percepção. Isto,
aliás, deve importar-lhe pouco; é nessas coisas que reside a maior parte do
interesse suscitado pelo jogo surrealista.” (Breton, pág. 45)
André Breton (1896-1966), escritor e poeta francês, líder do Movimento
Surrealista (1924) em Manifesto
do Surrealismo


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