“Pelo que acontece hoje, são imagináveis as condições de trabalho e de vida dos trabalhadores durante o longo período em que inexistiu qualquer legislação trabalhista ou em que esta mal começava a ser elaborada. Os salários eram muito baixos e, por sinal, segundo dados do Censo de 1920, situavam-se em São Paulo em nível inferior ao do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul, o que acrescentava mais uma vantagem para os industriais paulistas; a jornada de trabalho habitual se estendia de onze a doze horas e as condições higiênicas e de segurança, dentro das fábricas, só podem ser caracterizadas como calamitosas. Na indústria têxtil, em particular, o proletariado era constituído, em sua maioria, por mulheres e crianças.
Segundo testemunho insuspeito do começo do século XX, a idade mínima para o trabalho fabril era de...cinco anos! Numa das fábricas de Matarazzo, foram encontradas máquinas de proporções apropriadas ao manejo infantil. Pior ainda: os menores viam-se forçados a horários noturnos de onze horas e, com frequência, sofriam espancamentos dentro das fábricas. Não havia descanso semanal remunerado, férias remuneradas, seguro contra acidentes, previdência social, nada, enfim, que impusesse algum limite legal à taxa de exploração da força de trabalho. A exploração desenfreada se combinava com duas táticas calculistas por parte do patronato: a do paternalismo e a da repressão policial.”
Jacob Gorender (1923-2013), historiador, cientista social e escritor brasileiro em A Burguesia Brasileira


0 comments:
Postar um comentário