“No
final do século XIX, berço do modernismo, não se sentiam as incertezas sobre a
máquina que sentimos hoje. Não havia estatísticas sobre poluição, nem a
perspectiva de fusões nucleares ou explosões no horizonte, e muito poucos dos
visitantes da Exposição Universal de 1889 tinham muita experiência com a
miséria em massa e o sofrimento silencioso contra os quais William Blake se
insurgiu e Friedrich Engels descreveu. No passado, a máquina havia sido
representada e caricaturada como um ogro, um gigante ou – devido à fácil
analogia entre fornos, vapor, fumaça e o Inferno – como o próprio Satanás. Mas,
em 1889, sua ‘alteridade’ havia diminuído, e o público da Exposição Universal
tendia a pensar na máquina como inquestionavelmente boa, forte, estúpida e
obediente. Pensavam nela como uma escrava gigante, um aço incansável,
controlado pela Razão em um mundo de recursos infinitos. A máquina significava
a conquista do processo, e apenas espetáculos muito excepcionais como o
lançamento de um foguete, podem nos dar algo que se assemelhe à emoção com que
nossos ancestrais na década de 1880 contemplavam as máquinas pesadas: para
eles, o ‘romance’ da tecnologia parecia muito mais difuso e otimista, atuando
publicamente em uma gama mais ampla de objetos, do que é hoje.”
Robert Studley Forrest Hughes (1938-2012) crítico de arte, escritor e
produtor de documentários australiano em The
Shock of the new (O choque do novo)


0 comments:
Postar um comentário