Limpeza do Tietê avança lentamente

quarta-feira, 16 de novembro de 2011
"Nós nos sentimos culpados pelo tudo o que ainda não lemos, mas deixamos de notar que já lemos muito mais do que Agostinho ou Dante, ignorando, deste modo, que o problema está sem dúvida em nossa maneira de assimilar, não na extensão do nosso consumo."  -  Alain de Botton  -  Religião para ateus

A poluição do rio Tietê, o principal rio que corta São Paulo, ainda é pior do que há 18 anos, quando começou seu projeto de despoluição. Segundo matéria publicada pelo jornal Folha de São Paulo, depois de 1,6 bilhão de dólares em investimentos, o histórico Tietê – chamado de “rio verdadeiro” e “água boa” pelos índios e usado pelos bandeirantes para suas incursões ao sertão – apresenta um quadro de poluição bastante grave. Conforme apurado pela CETESB, a agência de controle ambiental do Estado de São Paulo, que em testes utilizou um índice de qualidade das águas (IQA) com nove diferentes parâmetros, o percentual de oxigênio dissolvido nas águas é praticamente zero. Este valor torna impossível qualquer tipo de vida superior no curso paulistano do rio, tornando-o um imenso criadouro de coliformes fecais e outras espécies de bactérias – muitas delas provavelmente ainda não classificadas pela ciência.
E pensar que quando teve início o projeto, em 1992, a dupla sertaneja Chitãozinho & Xororó cantava que a população de São Paulo poderia voltar a nadar no rio. O então governador do estado, Luiz Antonio Fleury Filho, afirmou que um dia beberia da água do Tietê e que durante seu governo a poluição do rio seria reduzida pela metade. Propaganda enganosa e bravatas políticas à parte, o único lugar onde o Tietê está limpo é em sua nascente em Salesópolis, a 101 quilômetros da capital. No entanto, a 145 quilômetros a jusante de São Paulo, na cidade de Tietê, o rio começa a recuperar sua qualidade. Peixes, pássaros, cágados e capivaras, já podem ser vistos em boa quantidade, segundo reportagem do jornal Folha.
A limpeza do rio Tietê passou por duas fases e agora começa a entrar em sua terceira etapa. No primeiro estágio, a companhia estadual de saneamento básico, a SABESP, coordenadora do projeto, investiu na construção de três estações de tratamento de esgoto. Na segunda fase, foi ampliado o sistema de interceptores e de redes coletoras de esgotos. A terceira etapa, que teve início em 2010 e deve se estender até 2015, prevê a extensão da rede coletora para regiões cada vez mais periféricas da capital, atingindo 100% de coleta e tratamento até o ano 2020.
Atualmente apenas 50% dos 18 milhões de habitantes da região metropolitana de São Paulo dispõem de coleta e tratamento de esgotos domésticos. Isto porque ainda existem dez municípios, como Guarulhos e Barueri, que até o final de 2010 ainda não tratavam uma gota de seus efluentes domésticos. Ademais, segundo os técnicos, o volume de esgoto doméstico vem aumentando no mesmo ritmo do crescimento da população. Outro aspecto é a geração cada vez maior de lixo, parte do qual também acaba sendo carregado para o rio. 
Apesar dos grandes problemas ainda por resolver, é tecnicamente possível que se alcance níveis bastante altos de limpeza do rio Tietê. Na Coréia do Sul, a capital Seul tem muitos pontos em comum com São Paulo: rápido aumento da população, tráfego intenso, canalização de córregos e falta de tratamento de esgoto. No entanto, ao longo de vinte anos, com planejamento, investimento e uma eficiente administração, Seul conseguiu recuperar quase completamente o rio Han, além de melhorar o ambiente urbano. O cidadão, morador da região metropolitana de São Paulo, espera que os órgãos responsáveis pela obra do Tietê, bem como as administrações públicas envolvidas, consigam gradativamente melhorar a qualidade do rio. Não é aceitável, que por aqui não tenhamos capacidade de fazer aquilo que os coreanos conseguiram em condições parecidas.
(imagens: Carlo Carrá)

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