“É claro que o fato de que os seres
vivos têm uma organização não é exclusivo deles, mas sim comum a todas as
coisas que podem ser investigadas como sistemas. Entretanto, o que lhes é
peculiar é que sua organização é tal que seu único produto são eles mesmos.
Donde se conclui que não há separação entre produtor e produto. O ser e o fazer
de uma unidade autopoiética são inseparáveis, e isso constitui seu modo
específico de organização.”
“É preciso entender que todos os seres
vivos multicelulares conhecidos são variações elaboradas sobre o mesmo tema – a
organização e a filogenia da célula. Cada indivíduo multicelular representa um
momento elaborado da ontogenia de uma linhagem, cujas variações continuam sendo
celulares. Nesse sentido, o aparecimento da multicelularidade não introduz,
basicamente, nada de novo.”
“Nos insetos, como já vimos, a coesão
da unidade social é proporcionada por uma interação química, a trofolaxe. Entre
nós, humanos, a ‘trofolaxe’ social é a linguagem, que faz com que existamos num
mundo sempre aberto de interações linguísticas recorrentes. Quando se tem uma
linguagem, não há limites para o que é possível descrever, imaginar,
relacionar. A linguagem permeia de modo absoluto, toda a nossa ontogenia como
indivíduos, desde o modo de andar e a postura até a política.”
Humberto R. Maturana (1928-2021) neurobiólogo e filósofo chileno, Francisco Varela (1946-2001) biólogo e filósofo chileno, em A Árvore do Conhecimento – As bases biológicas da compreensão humana


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