As espécies invasoras

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012
"Os fracassos, diferentemente dos sucessos, não podem ser postos de lado e raramente são desconhecidos. Mas são poucas vezes vistos como como sintomas de oportunidade."  -  Peter F. Drucker  -  Inovação e espírito empreendedor

Espécies invasoras são aquelas que de alguma maneira passam a habitar um ambiente onde antes não existiam. Como exemplos típicos, temos o caso dos pardais, pássaros muito comuns em nossas cidades e que foram trazidos ao Brasil há séculos pelos colonizadores portugueses. Outro caso é o do eucalipto, espécie originária da Austrália, que se adaptou muito bem ao nosso clima e solo, tendo sido introduzido no país no final do século XIX, pelas companhias ferroviárias.
O problema principal gerado pelas espécies invasoras é a sua rápida adaptação ao novo ambiente e com isso a eliminação de espécies nativas, com as quais disputam alimento e território no mesmo nicho ecológico. Exemplos famosos são os coelhos e os sapos introduzidos na Austrália, que tanto se multiplicaram, que acabaram se tornando uma forma de contaminação biológica, competindo com outras espécies e dizimando-as. Caso mais grave é o da Nova Zelândia, ilha onde foram introduzidas mais de 20 mil espécies vegetais exógenas (estrangeiras), que lutam por recursos naturais com as mais de duas mil espécies nativas. Segundo especialistas no tema, já existem extinções documentadas na Austrália, provocadas por espécies invasoras. Problema semelhante acontece no Havaí, um conjunto de 132 ilhas, que sempre estiveram isoladas do resto do mundo desde seu surgimento através de atividade vulcânica, há dezenas de milhões de anos. Há dois ou três mil anos chegaram os primeiros polinésios, vindos do Pacífico Sul, que consigo trouxeram porcos, galinhas e ratos, além de outros pássaros e insetos (afora os microrganismos). Estes se adaptaram bem nas ilhas e com isso foram tomando o lugar de parte da flora e da fauna local. No século XVIII o navegador inglês James Cook aportou no Havaí, introduzindo outras espécies vegetais e animais na ilha, o que sobrecarregou ainda mais o ecossistema do arquipélago.
Além de eliminar espécies nativas – calcula-se que 40% de todas as extinções de animais são conseqüência da ação de espécies invasoras – há a possibilidade dos invasores causarem impactos na economia dos países. Basta imaginar o que uma espécie exógena de roedor, que se alimentasse da vagem de soja ainda no pé, poderia provocar nas plantações da região Centro-Oeste da Brasil. Esta é a principal razão pela qual as autoridades alfandegárias procuram controlar a entrada de espécies invasoras na forma de plantas, sementes ou animais, já que atualmente as grandes invasões são causadas pelos deslocamentos humanos. 
A destruição da biodiversidade de uma região pode provocar grandes impactos econômicos e sociais. Segundo declarou Ahmed Djonghlaf, secretário-executivo do Convênio sobre a Biodiversidade Biológica, “90% da população da África depende diretamente de recursos naturais como a biodiversidade da costa marinha e mais de 1,6 bilhões de pessoas de todo o mundo dependem diretamente das florestas para sua sobrevivência”.
A destruição provocada por espécies invasoras pode ser lenta e imperceptível, fazendo com que o impacto só seja percebido no longo prazo, quando já será tarde para salvarmos espécies que nunca chegamos a conhecer e a estudar.
(Imagens: fotografias de Orlando Azevedo)

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