A revolução verde e a oferta de alimentos

quinta-feira, 23 de agosto de 2012
"De acordo com essa teoria, a evolução das leis da natureza, concorre com a evolução do modelo duradouro, porque o estado geral do universo como no presente em parte determina a verdadeira essência das entidades cujos modos de função são expressos por essas leis. O princípio geral é que em um novo ambiente há uma evolução de todas as entidades em novas formas."  -  Alfred N. Whitehead  -  A Ciência e o mundo moderno
 
As primeiras discussões globais sobre o futuro da humanidade ocorreram no final da década de 1960, durante as reuniões do já lendário Clube de Roma. Um dos assuntos que mais preocupava a todos os participantes daqueles encontros era a prevista escassez de alimentos. Já no início do século XIX, o cientista inglês Robert Malthus havia escrito que no futuro as sociedades passariam por grandes dificuldades, já que a produção de alimentos sempre cresceria em escala aritmética enquanto a população aumentaria em escala geométrica. Depois da Segunda Guerra Mundial, com a vacinação em massa contra várias doenças e o aumento do saneamento, diminuiu vertiginosamente o índice de mortalidade entre as crianças; o que aumentou ainda mais o crescimento populacional e com isso os temores de muitos em relação à disponibilidade de alimento para todos. A taxa de natalidade à época era bastante alta, principalmente nos países pobres e em desenvolvimento e, segundo cálculos de especialistas, não haveria produção agrícola suficiente para acompanhar o aumento do número de bocas a serem alimentadas. Previa-se assim, que antes do final do século XX haveria grandes carestias, assolando a maior parte das nações da Ásia, África e América Latina e provocando revoluções, conflitos armados e guerras entre nações.  
Nem todos, no entanto, sabiam que àquela mesma época estava em andamento uma grande mudança na maneira de praticar a milenar agricultura. Novas técnicas de preparação do solo e de plantio; uso de sementes híbridas; novos produtos químicos para combate às pragas que assolavam as plantas. Tudo isto apoiado na larga mecanização da semeadura e da colheita, com a ajuda de uma grande variedade de máquinas agrícolas. Para completar o novo quadro, mais assistência aos agricultores, através de um exército de técnicos agrícolas e engenheiros agrônomos, treinados nas novas tecnologias de plantio. Estas as principais características da mudança tecnológica na agricultura, que se convencionou chamar de Revolução Verde. Inicialmente, introduzida nos Estados Unidos a partir da década de 1960, a inovação rapidamente alcançou outros países e nos anos 1980 já estava difundida em grande parte do mundo.
A Revolução Verde aumentou a oferta de comida. Segundo especialistas, temos quantidades de alimento suficientes para eliminar a fome do planeta. O problema, segundo eles, continua sendo a injusta distribuição destes recursos, causada pela especulação. Esta, fomentada pela possibilidade de grandes lucros em curto espaço de tempo e praticada por grandes grupos econômicos em todo o mundo, contribui para as oscilações dos preços dos produtos agrícolas, podendo confundir a capacidade de planejamento dos agricultores, levando-os à superprodução ou à subprodução.
Mesmo com a oferta de alimentos tecnicamente garantida, não há tempo para descanso. As empresas, os governos e as instituições precisam urgentemente – segundo a Agência das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) – investir em pesquisa agrícola, a fim de aumentar ainda mais a produção agrícola. Até 2050, segundo a agência, a população mundial deverá aumentar de 6,3 para 9 bilhões de pessoas. Para alimentar este imenso contingente, a produção agrícola precisará crescer 70% acima dos padrões atuais.  
(Imagens: fotografias de Ferran Freixa)

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