Diminuir o sofrimento dos animais

domingo, 12 de agosto de 2012
"A filosofia triunfa sem dificuldades sobre os males passados e futuros: mas os males presentes levam a melhor sobre a filosofia."  -  La  Rochefoucauld  -  Máximas e Reflexões

Na Antiguidade já se acreditava que de alguma maneira os animais tinham uma ligação profunda conosco. Pitágoras, célebre filósofo e matemático grego do século VI antes de nossa era, falava que os animais não deveriam ser maltratados, pois podiam ser abrigar a alma de algum parente falecido. No entanto, a civilização ocidental acabou seguindo a Aristóteles, o filósofo grego que mais influenciou nossa cultura e que argumentava que os animais estavam longe do homem na grande cadeia que ia da pedra, passando pelas plantas, até os humanos. A própria tradição judaico-cristã nunca teve consideração especial pelos animais, tratando-os como criaturas que Deus havia colocado para uso e serviço do homem. Não é de estranhar então que nossa civilização, ao longo da história, tivesse pouca consideração pelos animais. Por isso, é interessante o fato de que foi Jeremy Bentham, filósofo inglês criador do utilitarismo (“o que é útil é bom”), o primeiro pensador a se preocupar seriamente com os direitos dos animais, afirmando que a dor do animal é tão real quanto a humana.
Ainda estamos longe de enxergarmos o animal como semelhante nosso. Mas a maioria dos países já tem leis protegendo os animais de sofrimentos desnecessários enquanto que a UNESCO (Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura) lançou em 1978 a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, cujos principais pontos são:
- Todos os animais têm o mesmo direito à vida;
- Todos os animais têm direito ao respeito e à proteção do homem;
- Nenhum animal deve ser maltratado;
- Todos os animais selvagens têm o direito de viverem livres em seu habitat;
- O animal que o homem escolheu para seu companheiro não deve nunca ser abandonado;
- Nenhum animal deve ser usado em experiências que lhe causem dor;
- Todo ato que põe em risco a vida de um animal é um crime contra a vida;
- A poluição e a destruição do meio ambiente são consideradas crimes contra os animais;
- Os direitos dos animais devem ser defendidos por lei;
- O homem deve ser educado desde a infância para observar, respeitar e compreender os animais.   
Será difícil que o mundo inteiro venha a viver sem se alimentar da carne dos animais e o vegetarianismo é costume alimentar que não agrada a todos. Todavia, é possível que sejam introduzidos métodos mais humanos – e mais civilizados – de criação e de abate de animais. Em 2009 o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (MAPA) assinou um Termo de Cooperação com a Sociedade Mundial de Proteção Animal (WSPA) introduzindo no Brasil o Programa de Abate Humanitário - STEPS, que tem como objetivo capacitar os produtores brasileiros a criar, transportar e abater os animais, levando em consideração seu bem-estar, de acordo com as normas da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). A WSPA também defende a produção animal com métodos humanitários, reproduzindo condições próximas daquelas encontradas em ambiente natural.
A tendência mundial é que os consumidores evitem se alimentar de carnes de animais que tenham sido submetidos ao sofrimento durante a vida e no abate. O Brasil como grande produtor e exportador de carnes precisa adotar estas técnicas humanitárias de criação e abate.
(Imagens: fotografias de Mitch Epstein)

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