Corais, clima e combustível

domingo, 5 de agosto de 2012
"Em muitas coisas importantes, coisas que tiveram ali sua primeira expressão, os florentinos constituem um modelo não só para os italianos como também para os europeus modernos de modo geral; o mesmo pode-se dizer de seus aspectos mais sombrios."  -  Jacob Burckhardt  -  A cultura do Renascimento na Itália

Um simpósio internacional sobre recifes de corais, contando com a participação de mais de dois mil cientistas, chegou a algumas conclusões preocupantes sobre o futuro deste ecossistema. Reunidos em Queensland, na Austrália, especialistas concluíram que a continuar o ritmo de poluição das águas marinhas, estas imensas colônias de microorganismos poderão desaparecer no espaço de uma geração.
Os recifes de coral têm uma grande importância para a manutenção da vida nos oceanos. Povoados por diversas espécies de organismos; desde os unicelulares, até peixes de todos os tipos, tartarugas e cetáceos, os recifes de coral são considerados ilhas de abundância na paisagem relativamente monótona dos mares. Em suas encostas as espécies vivas se estabelecem para viver, se alimentar e procriar, deslocando-se muitas vezes por centenas de quilômetros para alcançar o recife.
A atividade humana gera substâncias que carregadas para o mar alteram as condições químicas do oceano. Efluentes domésticos, industriais e adubos agrícolas estão aumentando o volume de nutrientes nas águas marinhas, dificultando a sobrevivência dos corais. Outro aspecto é que os corais só conseguem sobreviver dentro de uma faixa muito estreita de temperatura (23 a 25 graus); acima ou abaixo destes parâmetros começam a apresentar problemas de crescimento e em casos extremos morrem.
O principal fator de risco para os bancos de corais, no entanto, é causado pelo aumento da acidificação das águas do mar. O processo se dá da seguinte maneira: com nossas atividades econômicas emitimos quantidades cada vez maiores de gás carbônico (CO²) para a atmosfera. Este gás misturando-se à água do mar aumenta sua acidez, o que dificulta a formação de carapaças e estruturas à base de carbonato de cálcio, caso dos esqueletos de corais e moluscos.
Este acontecimento já tem e terá consequências para toda a biodiversidade dos oceanos e atividades econômicas ligadas aos mares. Cientistas preveem que atividades de pesca ligadas aos bancos de corais terão uma queda significativa, afetando milhões de pessoas. Da mesma forma a indústria turística que depende dos recifes nos Estados Unidos, Austrália e Japão, será seriamente afetada.
Fica cada vez mais evidente que o eventual desaparecimento deste rico ecossistema pode ser causado pelas atividades humanas - as emissões atmosféricas geradoras do aquecimento global. É de estranhar, portanto, que em tempos mais recentes tenha aumentado o número de vozes negando a existência das mudanças climáticas, baseando-se em interpretações tendenciosas de fatos científicos.
Isto dá o que pensar, ainda mais quando um pesquisador de Harvard anunciou recentemente que a era do petróleo não terminou e de que aumentarão as descobertas de novas reservas do combustível. A mensagem que aparentemente se quer transmitir é: a) a humanidade não pode absolutamente influir no clima da Terra; b) a queima de combustíveis não contribui para as mudanças climáticas; e c) como consequência, podemos manter nossa economia baseada na queima dos derivados de petróleo.
A quem será que interessa tal mensagem? Talvez o próximo passo será dizer que o excesso de produção e consumo também não têm significativo impacto ambiental.
(Imagem: fotografia de Marc Riboud)

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