Perguntando é que se aprende (XVI)

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Começa mais um período de eleições municipais no Brasil e novamente os canais de TV e as emissoras de rádio são obrigados a transmitir a propaganda eleitoral - e nós somos forçados a assistir a este show de contorcionismo moral. Mais um motivo para não ligar a TV (cuja programação continua ruim, com raríssimas exceções) e fazer outra coisa, como ler um livro ou o jornal - pelo menos para aqueles que não têm TV a cabo (se bem que de modo geral a programação da televisão paga também seja medíocre).
Mas, voltemos à campanha: um verdadeiro show de editoração de imagens e de textos de ficção. De repente, todos os candidatos - principalmente aqueles visando arrematar o cargo de prefeito - aparecem com projetos mirabolantes, na exata medida para resolver os problemas da falta de creches, atendimento médico, transporte, escolas e vários outros males com os quais a administração pública sempre aflige os cidadãos. É pouco antes das campanhas eleitorais, que os candidatos se põem a meditar profundamente sobre a situação da cidade e têm seus insights de bons projetos - que evidentemente serão submetidos a um tratamento plástico-cosmético por uma equipe de marqueteiros. 
Algumas destas propostas chegam até a parecer sérias e reais e tem-se a impressão de que talvez pudessem ser postas em prática, trazendo benefícios para a população. O estranho é que se o candidato não ganha a eleição, quase sempre sua proposta de projeto desaparece. Mas se a proposta do candidato derrotado é tão boa, por que o vencedor não coloca em prática esta ideia de seu oponente? Será que o bem da população não deveria ser o objetivo principal de qualquer candidato, não importando quem seja o autor da ideia? Ou será que as propostas dos candidatos derrotados eram mesmo falácias, sem possibilidade de execução?
As conclusões a que se chega em tal situação são: A) ou a proposta dos candidatos derrotados eram impraticáveis, empulhações para enganar o leitor durante o programa eleitoral; o que acaba fazendo com que se duvide de todas as propostas de todos os candidatos; ou B) os projetos (ou alguns deles) dos candidatos derrotados são bons, mas o ganhador é egocêntrico, não reconhece os méritos de seu oponente e não tem interesse em colocar em prática uma boa proposta.
Como corolário de A) e B) vemos que raramente um candidato eleito coloca em prática as boas propostas de seus oponentes vencidos, então: A´) quase sempre aquilo que os candidatos propõem é fantasia irrealizável (e por isso não é colocado em prática); ou B´) quase sempre os eleitos realizam somente seus próprios projetos, mesmo que existam outros de qualidade.
Como consequência de A´ e B´, não seria possível concluir que é quase certo que candidatos eleitos realizem projetos próprios (ou seja, de seus marqueteiros) e que estes muitas vezes são de baixa qualidade? Por final, cabe outra pergunta: será que são os melhores candidatos com as melhores propostas, que efetivamente ganham as eleições? E nós cidadãos, como ficamos nessa? Continuamos sendo os idiotas que são forçados a sempre financiar (com nossos impostos) esta farsa grotesca?

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